Lorena Sopêna - Europa Press - Arquivo
MADRID 24 ago. (EUROPA PRESS) -
Rita Flores, ex-integrante do coletivo feminista de punk-rock Pussy Riot, denunciou que foi recrutada sob coação para trabalhar como espiã no Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) e que foi obrigada a coletar informações durante três anos sobre artistas e opositores, incluindo integrantes de seu próprio grupo.
Flores explicou, durante uma entrevista ao site de notícias independente Port, ao lado do advogado Dimitri Zajvatov, que dois agentes do FSB a coagiram a cooperar com a inteligência russa após uma busca em sua residência em fevereiro de 2023, na qual confiscaram seu celular e computador, chegando até a ameaçá-la de matar seus familiares.
“Eles me ameaçaram de todas as maneiras possíveis. Zombaram de mim, disseram coisas desagradáveis, ameaçaram matar minha família e disseram que eu nunca conseguiria provar quem matou minha mãe. Começaram a me atacar pessoalmente, dizendo o quão vil e horrível eu era, que me transformariam no maior Satanás de toda a Rússia”, relatou ela.
A ativista denunciou que foi forçada, sob coação, a assinar um acordo de confidencialidade e que, durante seus anos como agente do FSB, participou dos processos contra o artista de rua Philipp Kozlov (Philippenzo), Pavel Krisevich e sua colega do Pussy Riot, Maria Alyojina.
O trabalho consistia em redigir os históricos dos opositores, seus laços familiares e de amizade, bem como seus hábitos e vulnerabilidades, especialmente questões relacionadas a infidelidades, problemas com drogas ou saúde mental.
Segundo a ativista, o FSB tentou implicá-la em uma tentativa de sequestro e assassinato de Piotr Verzilov, ex-editor da Mediazona e membro do grupo artístico Voina, além de porta-voz do Pussy Riot. Depois disso, Flores entrou em contato com Zajvatov e conseguiu sair do país há poucos dias, embora não tenha dado detalhes a respeito.
A ativista — que também denunciou os fatos em suas redes sociais — declarou que, no início de sua colaboração com o FSB, recebeu um único pagamento de 30 mil rublos em dinheiro dentro de um envelope, embora posteriormente tenha recebido pagamentos recorrentes por seus trabalhos.
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