Rafael González - Europa Press - Arquivo
ÁVILA 27 jun. (EUROPA PRESS) -
Uma educadora do Centro Penitenciário de Brieva (Ávila) assegurou nesta sexta-feira no tribunal que Ana Julia Quezada, que cumpre ali prisão permanente revisável pelo assassinato do menino Gabriel Cruz em Níjar (Almería), ameaçou "afundar" o centro com a divulgação de vídeos sexuais dela e de vários funcionários se não fosse transferida para Barcelona.
Assim o indicou nesta sexta-feira o educador durante seu depoimento como testemunha por ocasião do processo que segue no Tribunal de Instrução número 4 de Ávila, que investiga se os funcionários da prisão de Brieva tiveram relações sexuais com ela em troca da entrega de um telefone celular, e perante cujo juiz também compareceram o cozinheiro A.M.H, investigado por seu suposto envolvimento nos fatos, e a namorada de Quezada, M.A.R.Q, que depôs como testemunha.
A chantagem de Quezada, segundo o educador, tinha como objetivo forçar a transferência para um centro penitenciário em Barcelona, onde reside sua namorada, o que o preso já havia solicitado mediante a apresentação de um requerimento, mas pretendia conseguir com a ameaça de descobrir os vídeos de sexo em que ela e vários funcionários praticavam sexo. A ameaça foi feita pelo preso durante uma entrevista realizada em julho de 2024, conforme confirmado à Europa Press por fontes jurídicas.
Uma das pessoas que supostamente teria tido relações sexuais com Quezada, que era cozinheira no centro penitenciário abulense, negou tal fim e atribuiu o envolvimento por parte da detenta ao fato de que ela não se curvou às suas insinuações. E é que o investigado aponta que Ana Julia se apresentou em ocasiões na cozinha de forma insinuante e que chegou a tocar seu ombro, e apesar disso se recusou a ter relações sexuais com ela.
Sim especificou que em uma ocasião o preso lhe pediu o favor de que se colocasse em contato telefônico com sua namorada, M.A.R.Q, a fim de que lhe trouxesse ao Centro roupas quentes, ligação que teria ocorrido em meados de 2024, embora a companheira do preso tenha assegurado perante o juiz que foi o cozinheiro quem forneceu o aparelho smartphone a sua namorada.
Patricia Ramírez, mãe da criança assassinada por Quezada e por cuja morte ela está cumprindo uma pena de prisão permanente e passível de revisão na prisão de Ávila, é membro do Ministério Público no caso. Essa acusação voltou a insistir na importância de se tomar também o depoimento de outro prisioneiro que, supostamente, teria provas incriminatórias nesse caso, mas cujo testemunho já foi rejeitado.
Outro dos funcionários investigados, S.T, já declarou em seu dia no tribunal, apenas às perguntas de seu advogado, negar perante o juiz que investiga os fatos seu envolvimento nesse suposto tratamento favorável em troca de relações sexuais com o preso.
O interrogatório do funcionário ocorreu no âmbito da investigação por um suposto crime de suborno, do artigo 443.2 do Código Penal, que leva o Tribunal de Instrução número 4 de Ávila contra vários funcionários da prisão - que deixaram de servir na prisão como resultado desses fatos para serem suspensos de funções - que teriam favorecido o preso com a posse de um telefone celular em troca de favores sexuais.
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