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MADRID 10 jun. (EUROPA PRESS) -
A representante do Pacto Histórico na Câmara dos Deputados da Colômbia, Gloria Arizabaleta, que preside a Comissão de Investigação e Acusação, propôs a suspensão de Gustavo Petro do cargo de presidente até o próximo dia 21 de junho, data do segundo turno eleitoral, devido à sua suposta participação política na campanha.
Arizabaleta sustenta em seu documento desta quarta-feira que o presidente Petro teria se referido nas redes sociais pelo menos 22 vezes de forma direta a essas eleições, incluindo menções aos candidatos, suas campanhas e ao segundo turno que opõe Iván Cepeda e Abelardo de la Espriella.
Não é a primeira denúncia desse tipo apresentada a essa comissão. São 290 desde que Petro assumiu a presidência em 2022, cerca de 60 por suposta participação política durante campanhas eleitorais, infringindo assim o princípio de independência previsto na lei, bem como pelo financiamento de sua campanha.
No entanto, já foram vários os que classificaram essa proposta como inconstitucional. O ministro do Interior, Armando Benedetti, esclareceu que apenas o Senado tem competência para tomar uma medida dessa magnitude após uma acusação apresentada pelo plenário da Câmara dos Deputados.
“A Comissão de Acusações não pode suspender o presidente da República, muito menos por vontade de uma única deputada”, afirmou ele nas redes sociais, em consonância com o que foi expresso por outros membros do governo e da coalizão governista, como o ministro da Justiça, Jorge Iván Cuervo.
De fato, a própria Comissão de Acusações quis esclarecer “que o presidente não foi suspenso” e que “nenhuma decisão foi tomada contra Gustavo Petro” por parte desse comitê da Câmara. “Não é verdade. É uma informação falsa. Trata-se de um auto que nem sequer foi registrado nem discutido”, disse o deputado do Pacto Histórico Alejandro Ocampo.
A OPOSIÇÃO VÊ MOTIVOS ELEITORALISTAS
Até mesmo a oposição questionou a validade dessa medida e insinuou interesses eleitorais de vista para o segundo turno. De la Espriella afirmou que se trata de um “prevaricato monumental” e de um “autoatentado legislativo” para que Petro possa fazer campanha enquanto se vitimiza.
“Petro quer roubar as eleições. Cada passo que dá aponta para isso. Dez dias após as eleições, ele ainda não reconheceu o resultado. Ele sabe que não tem como vencer nas urnas. Hoje, o país acorda com uma nova farsa jurídica, produto de uma trama arquitetada nas entranhas do governo”, afirmou em um vídeo nas redes sociais.
“A Câmara dos Deputados não tem qualquer competência legal para suspender o presidente da República, muito menos a comissão. Essa competência é exclusiva do Senado”, enfatizou o candidato da extrema direita.
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