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MADRID, 22 abr. (EUROPA PRESS) -
A deputada democrata norte-americana Yassamin Ansari denunciou nesta terça-feira ameaças contra seus familiares, sua equipe parlamentar e ela própria desde o início da ofensiva lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, acusando ainda um agravamento dessas intimidações desde que, na semana passada, solicitou o 'impeachment' ou processo político contra o secretário de Defesa, Pete Hegseth, por ser “cúmplice” da referida guerra, que ela classificou como “ilegal e devastadora”.
“Condeno veementemente a retórica de ódio, as mentiras, a desinformação cruel e deliberada e as ameaças a que minha família, minha equipe e eu temos sido submetidos desde que a guerra contra o Irã começou, há quase oito semanas”, declarou em um comunicado divulgado por seu gabinete.
No mesmo comunicado, Ansari denunciou que “esses ataques e ameaças coordenados não fizeram senão piorar, especialmente desde que apresentei os artigos de ‘impeachment’ contra (o secretário de Defesa) Pete Hegseth”, um processo de impeachment cujo pedido foi anunciado pela própria congressista na semana passada. “Essa conduta ultrapassou os limites e constitui uma ameaça à nossa segurança física, o que denunciamos às autoridades”, acrescentou.
Especificamente, a deputada democrata, filha de imigrantes iranianos autoexilados após a Revolução Islâmica, afirmou que alguns “atores mal-intencionados tentaram difamar” sua família e sua equipe “divulgando imagens falsas e geradas por inteligência artificial”; “mentindo descaradamente” ao alegar que seus pais e ela própria não são cidadãos americanos, e promovendo “ataques xenófobos e sexistas”.
“Eles amplificaram teorias conspiratórias absurdas sobre minha família”, afirmou, sem identificar os possíveis responsáveis. “Chegaram até mesmo ao extremo de espalhar a mentira flagrante de que estou de alguma forma ligada ao regime (iraniano)”, indicou, antes de classificar as acusações como “absurdas” e “completamente falsas” e de denunciá-las “nos termos mais veementes”.
Da mesma forma, a congressista atribuiu tais ataques ao “desespero daqueles que tentam desviar a atenção de uma guerra ilegal e fracassada, do aumento do custo de vida e de um governo sem uma estratégia coerente, enquanto os americanos pagam as consequências nos postos de gasolina”. “Enquanto espalham mentiras, os militares americanos estão em perigo, com um número crescente de baixas reais em uma guerra que carece de justificativa e direção”, enfatizou.
“Permitam-me reiterar, mais uma vez, que minha oposição ao regime brutal da República Islâmica, à repressão das mulheres e ao seu apoio ao terrorismo tem sido inequívoca. Minha trajetória nessa questão é longa e clara. Minha família sofreu pessoalmente com a brutalidade do regime”, destacou, rebatendo as alegações sobre sua suposta proximidade com Teerã.
Por isso, argumentou Ansari, ela é hoje “uma americana orgulhosa que defende os direitos humanos e a democracia, o Estado de Direito e, como congressista, a segurança dos americanos”. “É também por isso que conheço o preço da liberdade e me oponho firmemente à guerra ilegal de (o presidente) Donald Trump e Pete Hegseth”, acrescentou.
Nesse contexto, ela afirmou que não tolerará “ameaças diretas” contra seus familiares, amigos e equipe, “que não buscaram estar sob os holofotes”. “Este não tem sido um debate político de boa-fé”, criticou, argumentando que, na verdade, trata-se de “um esforço coordenado para difamar, intimidar e silenciar, e não terá sucesso”.
A denúncia de Ansari foi respondida com o apoio nas redes sociais de colegas de bancada na Câmara dos Representantes, como Debbie Wasserman, Greg Casar, Adelita Grijalva ou Mark Pocan, além dos Caucus de Mulheres Democratas e de congressistas asiático-americanos, havaianos nativos e das ilhas do Pacífico, com mensagens, todas elas divulgadas pela própria congressista que, na terça-feira da semana passada, anunciou seu pedido de impeachment para destituir Pete Hegseth, a quem ela apontou como “cúmplice” da guerra “ilegal e devastadora” empreendida pelo governo Trump no Irã.
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