BRUXELAS, 22 jun. (EUROPA PRESS) -
A Comissão Europeia informou que a comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, viajará nesta segunda e terça-feira para Jerusalém e se reunirá com o presidente de Israel, Isaac Herzog, e com o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, depois que este último rompeu relações diplomáticas com a Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, por supostamente comparar o país com a África do Sul do apartheid.
Suica se reunirá com eles para discutir as relações bilaterais entre a UE e Israel, a situação em Gaza e os planos para a recuperação do enclave palestino, em consonância com o apoio europeu ao plano de paz para Gaza e às resoluções das Nações Unidas.
Durante sua estadia, a comissária também visitará o memorial do Holocausto Yad Vashem e o Hospital Augusta Victoria, em Jerusalém Oriental. Ela também irá a Ramalá, na Cisjordânia, onde se reunirá com o vice-presidente palestino, Hussein al-Sheij, e o primeiro-ministro, Mohamed Mustafa, para discutir o apoio da União Europeia à Autoridade Palestina, os esforços de reforma institucional, a recuperação de Gaza e a situação na Cisjordânia.
Por fim, Suica se reunirá com representantes da sociedade civil, parceiros das Nações Unidas e líderes religiosos, conforme detalhado pela Comissão Europeia em um comunicado.
A viagem ocorre poucos dias depois que o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, anunciou em uma postagem nas redes sociais que cortava “todos os contatos” com Kaja Kallas por ela supostamente ter comparado o país à África do Sul do apartheid.
Em resposta, a chefe da diplomacia europeia defendeu, em outra mensagem nas redes sociais, o diálogo como “base da diplomacia” e também reafirmou a condenação da União Europeia aos “assentamentos ilegais” israelenses na Cisjordânia.
“O diálogo é a base da diplomacia, especialmente quando surgem divergências. A União Europeia está sempre comprometida com uma relação construtiva com Israel”, afirmou a política estoniana, que também reiterou que “a solução de dois Estados continua sendo o único caminho viável” para alcançar uma paz “sustentável”.
Pouco depois, questionada se realmente havia comparado as ações de Israel ao apartheid sul-africano, ela evitou responder, alegando que já precisa lidar “todas as semanas” com polêmicas por causa de suas declarações privadas. “Portanto, vamos nos ater às declarações que faço publicamente todas as semanas. Essa é a posição europeia que estou representando”, concluiu.
VISITA “PREVISTA HÁ MUITO TEMPO”
Em uma coletiva de imprensa em Bruxelas, o porta-voz da Comissão Europeia, Markus Lammert, explicou que a visita de Suica a Israel “estava prevista há bastante tempo”, embora a agenda da comissária só tenha sido divulgada nesta segunda-feira.
“Trata-se de uma missão diplomática planejada com bastante antecedência. Haverá reuniões com líderes políticos e religiosos, parceiros da ONU, mas também com ONGs e a sociedade civil”, explicou ele, indicando que Suica “transmitirá” a posição da UE sobre o conflito no Oriente Médio, bem como “seu apoio à reconstrução na Palestina”.
Questionada sobre se a visita está coordenada com o Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE), dirigido por Kaja Kallas, a porta-voz-chefe do Executivo comunitário, Paula Pinho, por sua vez, confirmou que sim e acrescentou que a Comissão ressaltou a importância do “diálogo respeitoso e construtivo” e do “compromisso com todos os nossos parceiros”, inclusive com Israel.
“Isso fará parte da mensagem da comissária nesta visita. Esta missão também faz parte de nossos esforços para nos engajarmos na região”, concluiu.
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