Publicado 18/02/2026 04:47

Um mês de Adamuz: A investigação centra-se nas vias, aguarda-se as caixas pretas e há 34 denúncias

Um dos vagões do trem Iryo que descarrilou, em 20 de janeiro de 2026, em Adamuz, Córdoba, Andaluzia (Espanha). O descarrilamento de um trem de alta velocidade e a subsequente colisão com outro comboio, ocorrido na tarde deste domingo em Adamuz (Có
Joaquin Corchero - Europa Press

CÓRDOBA 18 fev. (EUROPA PRESS) - A investigação do acidente ferroviário de Adamuz (Córdoba), ocorrido há exatamente um mês, concentra-se nos trilhos onde o trem Iryo com destino a Madri descarrilou e, em poucos segundos, colidiu com o Alvia que se dirigia a Huelva no último dia 18 de janeiro, às 19h45.

Ao mesmo tempo, aguarda-se a abertura das caixas pretas de ambos os trens na presença da autoridade judicial — a Seção Civil e de Instrução do Tribunal de Instância de Montoro, praça número dois —, que conduz o processo e agora tramita as denúncias (34) e a ação popular separada para resolver a admissão da participação como acusação popular de sete entidades, partidos políticos e associações.

A isso se soma o fato de que foram abertos 148 processos preliminares, provenientes dos laudos médicos recebidos no Tribunal de Montoro. A todos eles está sendo oferecida a possibilidade de ação, enquanto, um mês após a tragédia, na propriedade vizinha à zona do acidente, continuam os três vagões do trem Iryo que descarrilaram na tarde de domingo, 18 de janeiro, imobilizados e lacrados pela Guarda Civil, à disposição da investigação aberta.

As duas novas juízas titulares da Secção Civil e de Instrução do Tribunal de Primeira Instância de Montoro, em seus dois cargos, tomaram posse há duas semanas em uma cerimônia em Granada com o presidente do Tribunal Superior de Justiça da Andaluzia (TSJA), Lorenzo del Río.

Concretamente, o cargo número dois é o responsável pela investigação, embora Del Río, numa visita aos tribunais de Montoro após o acidente, tenha adiantado que “desde o primeiro momento foi solicitada uma autorização para que este caso possa ser instruído pelas duas pessoas”.

Da mesma forma, ele garantiu que será “solicitado um juiz de reforço mais específico para que possa ajudar no cargo número 2 na condução ordinária do tribunal e, ao mesmo tempo, colaborar no andamento do processo”. “Sobre esse assunto, faremos o que for necessário”, acrescentou, para avaliar a disponibilização de dois funcionários pela Secretaria de Justiça da Junta da Andaluzia, que já se incorporaram. E afirmou que solicitariam um advogado da Administração da Justiça, entre outros reforços.

Perante isso, espera “uma resposta da melhor maneira possível, que não se prolongue no tempo”, embora tenha admitido que “vai ser muito problemático, porque é necessário abrir processos separados para cada pessoa, para cada investigação que for feita, para cada parte envolvida”, pelo que “são procedimentos muito complexos, mas, na medida do possível, estaremos muito atentos”. A AÇÃO POPULAR

A este respeito, o tribunal decidiu abrir o referido processo separado de ação popular, no qual se juntam os escritos correspondentes ao Sindicato Coletivo de Funcionários Manos Limpias; Iustitia Europa; Vox, com pedido de medidas cautelares e apresentação de queixa, pelo que foram instaurados procedimentos preliminares do tribunal, os quais serão acumulados a este processo separado.

Há também o documento da Associação Hazteoir.org, com a personificação, bem como a queixa apresentada, pela qual foram iniciados os procedimentos preliminares, que serão acumulados a este processo separado; o escrito de intervenção do Sindicato Estatal de Maquinistas Ferroviários (Semaf); da Associação “Víctimas de los Políticos”; da Associação Liberum, com a intervenção e transformação da denúncia em queixa que deu lugar a diligências preliminares, e da Alternativa Ferroviária (Alferro), com queixa.

Entre algumas das solicitações dessas partes está a designação de um perito judicial independente, especialista em infraestruturas ferroviárias, para que emita um relatório sobre o estado da via no quilômetro do acidente, “determinando se existiam as deficiências descritas — sobre a via — pelo Sindicato Espanhol de Maquinistas e Auxiliares Ferroviários (Semaf) e sua possível relação causal com o acidente”, entre outras diligências.

E a Associação Liberum apresentou uma denúncia por “fatos que poderiam constituir crimes de homicídio por imprudência grave, lesões por imprudência grave e um crime contra os direitos dos trabalhadores”, contra dois diretores da Adif e outro da Agência Estatal de Segurança Ferroviária (Aesf), bem como “contra qualquer outra pessoa que, no decorrer das investigações e na opinião de Vossa Excelência, possa ser responsabilizada criminalmente pelo seu cargo ou desempenho, seja ou não protegida por imunidade”. PEDIDOS E EVIDÊNCIAS RECOLHIDAS

O órgão judicial está pendente de se pronunciar sobre as diferentes questões levantadas, como por parte do Ministério Público de Córdoba, que solicitou que fosse acordada a realização de um laudo pericial para determinar as causas do acidente, para o que propôs que fossem designados como peritos engenheiros de Caminos, Canales y Puertos (Engenharia Civil), "sem prejuízo de que, se o resultado das ações realizadas ou das próprias perícias, for necessária a designação complementar de outros peritos técnicos em áreas mais específicas".

Da mesma forma, o Ministério Público solicitou ao Tribunal de Primeira Instância que as caixas pretas dos dois trens envolvidos no acidente fossem abertas na presença das juízas responsáveis pela investigação. Enquanto isso, a Guarda Civil entregou ao tribunal de Montoro um relatório preliminar. Nele consta um inventário de todas as evidências recolhidas pelos agentes, correspondentes a cerca de 2.500 fotografias na "zona zero", bem como as duas caixas pretas dos trens e também o depoimento do maquinista do Iryo — o do Alvia faleceu —, da tripulação e dos passageiros.

A Guarda Civil, que também solicitou as imagens das câmaras da estação ferroviária da Adif em Adamuz e das câmaras internas dos vagões dos trens, também informou às autoridades judiciais sobre outros elementos, como o pedaço de via que se desprendeu dos trilhos por onde o Iryo circulava em direção a Madri no domingo, 18 de janeiro, às 19h45, quando descarrilou e acabou colidindo com o Alvia, que circulava em sentido contrário, com destino a Huelva, e que também descarrilou.

Esse pedaço de via será analisado em um laboratório “especializado no tratamento de material metalúrgico” da Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF), embora parte dele seja entregue à Guarda Civil, que, na qualidade de polícia judiciária, é responsável por investigar as responsabilidades penais. FRATURA DO TRILHO

As duas caixas pretas dos trens, por sua vez, serão abertas na presença da Guarda Civil e da CIAF, uma vez que são um elemento-chave, tanto para a investigação judicial como para o relatório dos peritos da comissão encarregada de emitir uma avaliação sobre as causas do acidente e evitar que se repita no futuro.

No que diz respeito à investigação levada a cabo pela própria CIAF, esta indicou que o carril sobre o qual circulava o Iryo em Adamuz já estava fraturado antes da passagem do comboio, salientando que «pode-se levantar a hipótese de que a fratura do carril ocorreu antes da passagem do comboio Iryo acidentado e, portanto, do seu descarrilamento».

A comissão chegou a esta conclusão ao sustentar que as marcas encontradas nas rodas do Iryo e a deformação observada na via “são compatíveis com o facto de o carril estar fraturado”, embora a CIAF saliente que as hipóteses apresentadas nesta atualização “devem ser consideradas provisórias e pendentes de verificação, através de testes adicionais que se prevê realizar nas próximas fases”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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