CÓRDOBA 20 maio (EUROPA PRESS) -
Um estudo da Universidade de La Laguna e do Instituto de Estudos Sociais Avançados (IESA-CSIC), centro do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) com sede em Córdoba, concluiu que sentir-se sozinho influencia a forma como percebemos nossa solidão. Especificamente, quanto maior a solidão, pior é a avaliação que as pessoas fazem de seu estado de saúde entre os cidadãos europeus.
Conforme indicado pela instituição em um comunicado, o trabalho, publicado na revista “Frontiers in Sociology: Medical Sociology”, baseia-se em uma pesquisa online comparativa com 4.800 adultos realizada em 2025 na Alemanha, Espanha, Grécia, Irlanda, Portugal e Suécia.
Além disso, o estudo confirmou que a solidão constitui um “determinante social relevante” da saúde. Assim, eles precisaram que, quanto maior o nível de solidão, pior é a avaliação do estado de saúde, mesmo após considerar fatores como idade, sexo ou situação socioeconômica.
“A associação observada entre a solidão e a avaliação que as pessoas fazem de seu próprio estado de saúde é independente de outras variáveis”, afirmou a primeira autora do trabalho e pesquisadora de pré-doutorado no IESA-CSIC, Ana Padrón de Armas.
Nesse sentido, as mulheres avaliam sistematicamente seu estado de saúde de forma mais negativa e apresentam níveis mais elevados de solidão do que os homens na maioria dos países analisados. Esse resultado, conforme destacado pelos autores, se insere no “conhecido paradoxo de gênero na saúde”, que determina que as mulheres relatam pior estado de saúde apesar de terem maior expectativa de vida.
Por outro lado, a análise por idade revela que, enquanto a saúde autoavaliada piora progressivamente com a idade, a solidão é mais elevada entre os jovens e diminui ao longo do ciclo de vida. Esse resultado, segundo o CSIC, questiona a ideia tradicional de que a solidão é um problema exclusivo da velhice e “reforça as evidências recentes que identificam a juventude como um grupo especialmente vulnerável”.
“Nossos resultados destacam a importância da solidão como fator social associado à saúde. Não se trata de um fenômeno marginal, mas de um elemento com implicações claras para o bem-estar da população”, destacou o autor sênior do estudo e responsável pelo grupo ‘Saúde: dimensão social e de gênero’ do IESA-CSIC, Rafael Serrano.
No entanto, o estudo alertou que os resultados devem ser interpretados em termos de associação e não de causalidade, ou seja, não implicam que a solidão cause pior saúde ou vice-versa. Além disso, a relação entre solidão e saúde “pode ser bidirecional”.
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