Cézaro De Luca - Europa Press - Arquivo
Ele refuta as ideias de que as prisões são um foco de radicalização ou que esses condenados têm uma taxa mais alta de reincidência.
MADRID, 13 fev. (EUROPA PRESS) -
Um relatório do Elcano Royal Institute, baseado em 24 entrevistas com prisioneiros jihadistas condenados, concentrou-se nas razões pelas quais nove deles negaram seu envolvimento anterior em extremismo violento durante a prisão.
Dessa forma, ele tira conclusões como a de que as prisões espanholas, ao contrário da opinião generalizada, são um espaço mais favorável para a "transformação" e a reabilitação social do que para a "reafirmação do radicalismo". Ele também contesta o fato de que esses condenados reincidem mais do que outros presos comuns.
O estudo, intitulado "Reafirmação e abandono da jihad global", foi apresentado na quinta-feira na Associação de Imprensa de Madri. O autor, o pesquisador Álvaro Vicente, da Elcano, baseou-se em entrevistas com 24 presos jihadistas - de um total inicial de 39 - realizadas entre janeiro de 2020 e julho de 2021, com autorização prévia das instituições penitenciárias.
LEAIS, DESCONECTADOS E RENEGADOS
Dessa forma, ele classificou os 24 prisioneiros jihadistas em três grupos: cinco se enquadram nos "leais", referindo-se aos jihadistas na prisão que continuam a defender a legitimidade religiosa da jihad global e a violência contra o Ocidente; e depois dois outros grupos que estão começando a rejeitar o extremismo.
Em um estado intermediário, ele inclui dez prisioneiros entre os "desconectados", que demonstram alguma rejeição, mas justificam a manutenção da violência dentro dos países muçulmanos e, finalmente, os "renegados", nove desses presos, aqueles que estão comprometidos com um Islã plural e renunciam completamente ao seu passado violento.
O relatório, consultado pela Europa Press, concentra-se nesses nove "renegados" da jihad global, especificamente três mulheres e seis homens, de um total de 24 presos entrevistados (quase 40% dos analisados). Eles são aqueles que demonstram "oposição ativa" a organizações terroristas como o Estado Islâmico (Daesh) e a Al Qaeda, o que os leva a uma "catarse ou crise pessoal" devido à culpa de terem abraçado o jihadismo ou o salafismo no passado.
FIGURAS RELIGIOSAS E ISOLAMENTO EXCESSIVO
O pesquisador Álvaro Vicente enfatizou a importância de os prisioneiros jihadistas terem "figuras religiosas" que sirvam como ponto de referência para desvinculá-los da ideia errônea de que não se pode ser um bom muçulmano fora do extremismo.
Ele também lançou uma mensagem positiva sobre a evolução do tratamento nas prisões espanholas. "A ideia generalizada de que a prisão é um meio de radicalização não é um reflexo desse estudo", disse Álvaro Vicente, abrindo um debate sobre a estratégia antiterrorista do governo, que geralmente aponta as prisões como um foco de radicalização.
Além disso, o pesquisador da Elcano refutou com dados dessa instituição que a taxa de reincidência entre os presos jihadistas é preocupante. A esse respeito, ele lembrou que as instituições penitenciárias estabelecem a taxa de reincidência entre a população carcerária em geral em 20%, enquanto entre os jihadistas ela varia entre 7% e 10%, o que a torna "significativamente menor".
O juiz de Vigilância Penitenciária do Tribunal Nacional José Luis Castro aplaudiu o trabalho "importante" realizado pelos funcionários das instituições penitenciárias, por exemplo, em questões como acordos com a comunidade islâmica da Espanha para melhorar a "segurança" nas prisões.
No entanto, Castro defendeu a abertura de uma reflexão sobre se a situação em primeiro grau ou regime fechado dos presos jihadistas é contraproducente. "O regime fechado impede a relação com o mundo exterior e a necessidade de maior contato com o ambiente familiar", disse o magistrado, ressaltando o risco de "alongar" demais esse isolamento, também devido ao contato com outros presos, técnicos penitenciários ou líderes religiosos que renunciam ao extremismo.
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