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MADRI, 25 ago. (EUROPA PRESS) -
Um parlamentar de extrema direita de Israel destruiu nesta terça-feira, com golpes de martelo, um memorial palestino na localidade de Madama, na Cisjordânia. As ações foram realizadas sob escolta militar e já foram criticadas pelo Exército e pelo gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
As imagens mostram Zvi Sukkot, do partido Sionismo Religioso, destruindo com marteladas o “Monumento aos Mártires”, enquanto um soldado permanece próximo montando guarda e outros aparecem posicionados nas proximidades, perto de um veículo militar.
“Toda criança que vê diariamente um enorme monumento que glorifica os assassinos de judeus sonhará em se tornar um terrorista”, afirmou Sukkot em uma mensagem publicada nas redes sociais, onde anexou o vídeo de suas ações.
Assim, ele ressaltou que, nas últimas semanas, exigiu “em inúmeras ocasiões” que o Exército “retire os monumentos terroristas da região como parte da guerra contra o terrorismo”. “Espero que isso aconteça o mais rápido possível”, disse ele, antes de defender suas ações e ressaltar que “o apoio ao terrorismo não tem lugar no Estado de Israel”.
Após a publicação do vídeo, o Exército de Israel confirmou que a viagem de Sukkot a Madama contava com autorização, embora tenha afirmado que o deputado e seus assessores agiram “de forma enganosa e manipuladora” ao destruir o monumento, que inclui nomes de palestinos mortos durante a Primeira e a Segunda Intifada e em combates em 1968.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmaram que o parlamentar apresentou, em 12 de agosto, um pedido para realizar “um passeio pelos monumentos” em várias localidades da Cisjordânia, uma viagem realizada logo no início do dia “sob a proteção de tropas das FDI, desviadas de suas funções para essa missão”.
“Contrariamente ao acordado, os participantes agiram de forma enganosa e manipuladora, sem autorização e em total violação do plano aprovado, e começaram a demolir um dos monumentos comemorativos na aldeia de Madama”, precisou, conforme relatado pelo jornal israelense “The Times of Israel”.
Nesse sentido, ele ressaltou que as tropas notificaram seus comandantes sobre as ações de Sukkot durante o incidente, após o que receberam ordem de encerrar essa viagem e retirar o parlamentar e seus assessores do local, sem explicar por que foi concedida autorização para a viagem do político de extrema direita à Cisjordânia.
“As FDI consideram grave a conduta e a falta de coordenação por parte do parlamentar e as veem como uma exploração da segurança proporcionada pelas forças de segurança para um abuso total de autoridade”, reiterou, antes de defender que suas forças “demolem regularmente memoriais e símbolos de incitação”.
CRÍTICAS DE NETANYAHU
O gabinete de Netanyahu somou-se às críticas, observando que “as FDI são a autoridade soberana na Judeia e Samaria — nome bíblico da Cisjordânia — e são responsáveis por implementar as decisões da liderança política”.
“Tomar a lei nas próprias mãos, especialmente por parte de funcionários públicos, é algo inaceitável e interfere na capacidade das FDI de se concentrarem em suas missões contra o terrorismo e a incitação”, acrescentou ele em uma mensagem publicada em hebraico nas redes sociais.
Por outro lado, o ministro das Finanças de Israel, o ultradireitista Bezalel Smotrich — também membro do Sionismo Religioso —, saiu parcialmente em defesa de Sukkot e destacou que “o Estado de Israel deveria ter desmontado há muito tempo o monumento terrorista que exalta o desprezível terrorista responsável pelo assassinato de quatro judeus”, em referência a Yaman Tayeb Ali Faraj, um dos nomes constantes no memorial e acusado de um ataque em 2003.
“Da mesma forma, existem dezenas de outros monumentos ao terrorismo em toda a Judeia e Samaria que devem ser destruídos ainda hoje pelas Forças de Defesa de Israel, e somente por elas”, afirmou, criticando veladamente o Sukkot por suas ações, embora tenha enfatizado nas redes sociais que “o que deveria preocupar a todos é a precipitação dos esquerdistas ao condenar o Sukkot em vez de condenar o terrorismo em si”.
Smotrich acusou, por isso, a oposição de “planejar a formação de um governo com defensores declarados do terrorismo, evacuar os assentamentos (...) e estabelecer um Estado de terror no coração de nossa terra”, tendo em vista as eleições parlamentares previstas para 27 de outubro, nas quais Netanyahu aspira a renovar sua coalizão com grupos de extrema direita e ultraortodoxos, diante das poucas possibilidades de o Likud obter maioria absoluta.
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