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MADRID 23 abr. (EUROPA PRESS) -
Hasán Fadlalá, um influente deputado da ala política do partido-milícia xiita Hezbollah, exigiu nesta quinta-feira que as autoridades libanesas rompam as negociações diretas que mantêm com Israel, poucas horas antes de uma reunião em Washington para discutir a prorrogação do cessar-fogo, após denunciar violações da trégua, como o ataque contra a localidade interior de Tiri, que deixou três mortos, incluindo a jornalista Amal Jalil.
“O crime cometido em Tiri não dissuadirá a resistência de responder, e pedimos que cessem as negociações diretas com o inimigo”, afirmou o político, em referência às negociações facilitadas pelos Estados Unidos, conforme noticiado pela emissora de televisão libanesa Al Manar.
Em um comunicado, o partido-milícia condenou “nos termos mais veementes” o ataque em Tiri, afirmando que Jalil “se juntou às fileiras dos jornalistas mártires enquanto cumpria seu dever jornalístico nacional de transmitir a verdade e expor os crimes do inimigo”.
O Hezbollah acusou Israel de atacar deliberadamente as jornalistas e denunciou que o acesso dos paramédicos à área foi impedido, insistindo que se trata de um “crime atroz e em toda a regra” que reflete uma intenção de silenciar a mídia.
“Isso revela as tentativas desesperadas e fracassadas de silenciar a voz livre e quebrar a vontade dos meios de comunicação da resistência nacional que expõem seus crimes e desmascaram seu rosto selvagem e criminoso”, enfatizou o grupo xiita em um comunicado divulgado pela referida emissora.
ATAQUE ANTES DAS NEGOCIAÇÕES DIRETAS
O ataque em Tiri, perto da fronteira com Israel, também foi condenado pelo primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, que afirmou que esse tipo de incidente é “sistemático” e destacou que esses episódios no sul do Líbano “não são incidentes isolados”.
As declarações do deputado do Hezbollah chegam em um momento em que o presidente libanês, Joseph Aoun, aposta em manter contatos diretos com Israel, nos quais solicitará uma prorrogação do acordo de cessar-fogo firmado na semana passada e que cessem as demolições do Exército israelense no sul do país.
Diante das divisões internas no Líbano, Aoun defende que as experiências passadas “ensinaram que as guerras só levam à morte, à destruição e ao deslocamento” e alertou para a necessidade de manter a unidade nacional.
“Eu sabia que haveria quem se opusesse, duvidasse e lançasse acusações, mas estou convencido de que esta opção é a mais segura para o Líbano e para os libaneses, independentemente de sua filiação”, enfatizou nesta quarta-feira antes das reuniões preparatórias em Washington, das quais participou a embaixadora libanesa nos Estados Unidos, Nada Hamadé Maouad.
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