Publicado 08/06/2026 11:39

O último líder das FARC volta a pedir votos para Cepeda e critica o "egocentrismo" de Petro

Archivo - Arquivo - O ex-líder das extintas FARC, Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como “Timochenko”
FARC - Arquivo

MADRID 8 jun. (EUROPA PRESS) -

O último comandante da extinta guerrilha das FARC, Rodrigo Londoño, conhecido como “Timochenko”, pediu novamente o voto para o candidato do partido no poder, Iván Cepeda, de vista para o segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia, apesar das dúvidas que possa suscitar o fato de ele ser o herdeiro político do presidente, Gustavo Petro, a quem acusou de descumprir os acordos de paz de 2016.

"É impossível ter dúvidas neste momento sobre qual é o caminho a seguir e pelo qual devemos trabalhar com entusiasmo e sem rodeios para que outros e outras também o assumam", afirmou Londoño, presidente do Comunes, partido surgido dos acordos de paz de Havana de 2016, em uma carta aberta.

O texto é dirigido principalmente ao Defendamos a Paz, um movimento civil que busca que as instituições cumpram esses acordos e protejam as instituições surgidas deles, como a Jurisdição Especial para a Paz (JEP), e os setores perseguidos pela violência.

“Temos que estar à altura do momento”, disse Londoño, que pediu aos coletivos que participam desse movimento que esgotem todas as iniciativas possíveis, suavizem as asperezas e utilizem ao máximo as ferramentas de que dispõem para apoiar o candidato do Pacto Histórico, que nas últimas horas já reconheceu a vitória no primeiro turno do ultradireitista Abelardo de la Espriella.

No entanto, Londoño também deixou clara sua insatisfação com algumas das decisões tomadas pelo presidente Petro nos últimos quatro anos em relação aos acordos de paz de 2016. Assim, embora tenha admitido que “nenhum outro governo” tenha feito mais por eles, destacou que também não houve outros que tenham se concentrado tanto nas “causas estruturais que geraram a violência”.

“Nós sofremos e continuamos sofrendo na pele suas inconsistências, seu egocentrismo, suas improvisações”, disse ele sobre Petro, a quem acusou de não cumprir sua palavra quando afirmou que colocaria em prática “à risca” cada um dos pontos acordados há dez anos na capital cubana.

Entre essas omissões, Londoño destacou a decisão de não incluir um capítulo sobre o acordo de paz no Plano Nacional de Desenvolvimento, e denunciou as “humilhações verbais e físicas” a que a Unidade Nacional de Proteção (UNP) submete as pessoas que aderiram ao processo de desmobilização.

“Cada um de nós tem opiniões diferentes sobre como teria sido melhor; alguns gostam e outros não gostam dos longos discursos, assim como se questionam muitas nomeações (...) mas acima de tudo isso está o futuro das crianças”, expôs aquele que é um dos poucos líderes históricos da guerrilha que não voltou a pegar em armas em protesto contra o incumprimento dos acordos.

Londoño encerra o texto destacando a “vocação pela paz” de Cepeda, conforme comprovado em sua trajetória política e civil. "Não posso negar minhas reservas nas primeiras vezes em que o encontrei em Havana no âmbito dos diálogos, reservas que desapareceram (...) ao ver os esforços que ele fazia para que esses diálogos dessem frutos", destacou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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