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BRUXELAS 11 mar. (EUROPA PRESS) -
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu nesta terça-feira que a Europa viveu até agora em uma época de "déficit de segurança", uma "ilusão que acabou", e pediu um esforço coletivo para lançar uma Defesa Europeia na qual os Estados membros aumentariam os gastos militares para mais de 3% do PIB.
Em um debate na sessão plenária do Parlamento Europeu sobre a cúpula extraordinária de 6 de março, o chefe do Executivo europeu advertiu que a "ilusão" de viver em um "dividendo da paz" acabou, em referência à alocação dos fundos economizados em defesa para gastos sociais, no contexto de uma era em que a Rússia era vista como parceira da Europa e os Estados Unidos como garantidores da segurança no continente.
"Na realidade, tínhamos apenas um déficit de segurança. O tempo das ilusões acabou. A Europa é chamada a assumir maior responsabilidade por sua própria defesa. Não em um futuro distante, mas já hoje", disse ele, dado o senso de urgência que a aproximação do presidente dos EUA, Donald Trump, com seu colega russo, Vladimir Putin, criou para pôr fim ao conflito na Ucrânia.
Von der Leyen disse que os "passos graduais" devem ser deixados para trás e que a crise deve ser enfrentada "com a coragem que a situação exige". "Precisamos de um aumento na defesa europeia. E precisamos disso agora", disse ele.
Diante dos eurodeputados, ele defendeu seu plano de rearmamento, que foi aprovado pelos líderes europeus na cúpula extraordinária da última quinta-feira. Nesse contexto, ele destacou que há um nível de consenso sobre a defesa europeia "sem precedentes" e "impensável há apenas algumas semanas" no Conselho Europeu. "É hora de uma defesa comum", disse ele.
APONTA PARA QUE OS ESTADOS-MEMBROS GASTEM ACIMA DE 3%.
De qualquer forma, o conservador alemão enfatizou que a maior parte do plano recai sobre os ombros dos estados-membros, que são os que devem aumentar os gastos nacionais com defesa e recuperar os níveis de investimento de décadas atrás.
"Atualmente, gastamos pouco menos de 2% de nosso PIB em defesa. Todas as análises concordam que precisamos ir além dos 3%. É óbvio que a maior parte do novo investimento só pode vir dos Estados Membros", argumentou, defendendo a medida de ativar a cláusula de escape para que os gastos com defesa não sejam contabilizados no déficit fiscal.
Von der Leyen afirmou que o plano de empréstimo de 150 bilhões, que será apoiado pelo orçamento da UE, "deve financiar as compras dos produtores europeus", depois de enfatizar que a estratégia de defesa deve ser acompanhada pelo objetivo de impulsionar a indústria militar europeia.
"Esses empréstimos devem financiar compras de produtores europeus, para ajudar a impulsionar nosso próprio setor de defesa. Os contratos devem ser plurianuais, para dar ao setor a previsibilidade de que ele precisa.
Ele disse ainda que a "velocidade e a escala" do esforço de investimento militar justificam o uso do procedimento de emergência previsto no artigo 122 do Tratado, que permite que o executivo da UE "levante fundos e os empreste aos Estados-Membros para que invistam em defesa". "Essa é a única forma possível de assistência financeira emergencial e é o que precisamos agora", acrescentou o presidente da UE.
MAIS DECISÕES NO PRÓXIMO CONSELHO EUROPEU
Por sua vez, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, pediu para "manter a velocidade" no novo senso de urgência para aumentar os gastos com defesa e adotar medidas de apoio à Ucrânia. Ele disse que o Conselho Europeu ordinário do dia 20 "continuará as discussões e tomará novas decisões".
Costa destacou a agenda de competitividade, que deve ser uma prioridade. "Todos nós conhecemos nossa lacuna de inovação. Nossa lacuna de produtividade. Nosso déficit de investimento", disse ele.
Após os contatos e as cúpulas das últimas semanas, o ex-primeiro-ministro português proclamou que o objetivo da UE é claro e deve ser o de fortalecer a capacidade de dissuasão e a segurança do continente. "A competitividade e a defesa devem andar de mãos dadas. Para impulsionar a competitividade industrial e tecnológica da Europa", afirmou.
Diante do dilema de que o aumento dos gastos com defesa prejudicaria o orçamento para questões sociais, Costa disse que a cláusula de escape permitiria fundos adicionais ao permitir que os Estados-Membros da UE tomassem mais dinheiro emprestado. "Os países não terão que escolher entre investir em defesa e investir em educação e saúde", disse ele. "A defesa é algo mais amplo do que o rearmamento", disse ele, insistindo que a integridade democrática da UE, seu fornecimento de energia e a segurança de suas fronteiras também estão em jogo.
CONSENSO ENTRE OS LÍDERES DO GRUPO
O debate parlamentar mostrou o crescente consenso sobre defesa entre os diferentes grupos políticos, com muitas vozes defendendo um passo adiante na União da Defesa. O líder do Partido Popular Europeu, Manfred Weber, saudou o fato de a UE tomar sua defesa em suas próprias mãos e pediu mais medidas para agir em conjunto no campo militar, com projetos conjuntos sobre mísseis ou defesa cibernética.
Por sua vez, a líder dos social-democratas, Iratxe García, disse que o plano de rearmamento é "apenas o primeiro passo", pedindo um plano de ajuda como o da recuperação após a pandemia para poder aumentar a defesa europeia. Do lado liberal, Valerie Hayer pediu que se trabalhasse em medidas como os eurobônus ou que se estudasse a oferta de dissuasão nuclear da França para garantir a segurança do continente e da Ucrânia, ressaltando que a atitude de Trump acelera o debate e pode levar ao envio de tropas de paz para o campo.
DIVISÃO ENTRE OS PARCEIROS DE SÁNCHEZ
Os eurodeputados espanhóis se dividiram sobre a questão, destacando as diferenças entre o PSOE e seus parceiros parlamentares. O eurodeputado Javier Moreno defendeu que o governo socialista espanhol continuará apoiando a Ucrânia e "fornecerá os meios que precisam ser colocados em prática", e também pediu para não deixar a história para a extrema direita.
Por outro lado, a eurodeputada do ERC, Diana Riba, criticou a "chuva de milhões" para o setor militar, ressaltando que o problema "não é quanto se gasta, mas como se gasta". Ela pediu medidas para corrigir a ineficiência do setor militar e para falar "sem tabus" sobre o financiamento da defesa com impostos europeus "sobre os mais ricos e os que mais poluem", para garantir que a conta não seja paga pelos cidadãos comuns.
Ana Miranda, do BNG, assumiu uma posição frontal contra o plano de rearmamento, chamando Von der Leyen de "amante da guerra" que "não se importa que os gastos militares sejam pagos pelo povo". "Eles preferem apoiar o belicismo em vez da política social, preferem apoiar mais gastos militares e menos serviços públicos, como moradia, saúde ou pensões", lamentou.
Por sua vez, a porta-voz do PP no Parlamento Europeu, Dolors Montserrat, criticou Sánchez pelo fato de a Espanha ser o governo europeu "que menos investe em defesa" e "que mais comprou gás de Putin desde o início da guerra". Ela descreveu o primeiro-ministro como "um equilibrista em um governo de coalizão sem orçamento ou apoio parlamentar, que exige que ele deixe a OTAN e dê cobertura aos ditadores".
Nesse contexto, ele enfatizou a necessidade de Bruxelas monitorar como cada euro europeu para a Defesa é usado, garantindo que o uso clientelista que, em sua opinião, o PSOE fez dos fundos europeus após a pandemia não pode ser repetido, "usando-os como se fossem propriedade dele e de seu Partido Socialista".
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