Publicado 04/06/2026 11:38

A UE vê uma "oportunidade" no cessar-fogo no Líbano, mas lamenta sua "instabilidade" após a morte de um soldado da Força de Paz

A Espanha espera que o cessar-fogo seja respeitado, enquanto a Itália pede o desarmamento do Hezbollah e que Israel também renuncie à escalada

Archivo - Arquivo - A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, em uma coletiva de imprensa após o Conselho de Relações Externas (CRE) realizado nesta terça-feira em Luxemburgo.
FRANCOIS LENOIR - Arquivo

BRUXELAS, 4 jun. (EUROPA PRESS) -

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, comemorou que o acordo de cessar-fogo entre Israel e o Líbano é uma “oportunidade” para o fim das hostilidades, mas lamentou que o ataque contra a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL), que deixou um “capacete azul” sérvio morto e dois espanhóis feridos, evidencie a “natureza precária” do acordo.

Em uma mensagem nas redes sociais, a chefe da diplomacia europeia referiu-se ao acordo alcançado nesta quinta-feira entre o Líbano e Israel para um cessar-fogo condicionado à cessação total dos ataques do partido miliciano xiita libanês Hezbollah e à evacuação de todos os seus membros do setor sul do rio Litani.

“O último cessar-fogo entre Israel e o Líbano oferece uma oportunidade para evitar um retorno às hostilidades em grande escala”, comemorou ela, para em seguida lamentar a morte de um “casaco azul” da UNIFIL.

“A morte de cascos azuis da UNIFIL e os confrontos contínuos ressaltam a natureza precária do que foi acordado”, assinalou a política estoniana, que também defendeu a necessidade de fortalecer o Estado libanês, empoderar suas instituições e restaurar seu monopólio sobre o uso da força para “reduzir a ameaça” do Hezbollah.

Kallas fez referência à decisão adotada nesta mesma quinta-feira pelos Vinte e Sete, pela qual concordam em desembolsar 100 milhões de euros para reforçar as capacidades de defesa das Forças Armadas Libanesas (FAL) para “vigiar, controlar e garantir” a segurança do Líbano e para “manter o monopólio estatal das armas” e assegurar a proteção dos civis.

ESPANHA CONFIA QUE O CESSAR-O FOGO SERÁ RESPEITADO

O presidente do Governo, Pedro Sánchez, também se referiu ao cessar-fogo, condenando o ataque sofrido pela UNIFIL, no qual dois militares espanhóis ficaram feridos, além da morte de um “capacete azul” sérvio, e manifestou a sua confiança de que, a partir de agora, o cessar-fogo acordado na véspera por Israel e pelo Líbano, com a mediação dos Estados Unidos, seja cumprido.

"Nossa condenação mais absoluta à violência e todo o nosso apoio àqueles que arriscam a vida para defender a paz sob a bandeira das Nações Unidas", afirmou o chefe do Executivo em uma mensagem na rede social 'X' após os "quatro ataques com morteiros" ocorridos nesta quarta-feira contra a base espanhola Miguel de Cervantes, em Marjayún.

“Esperamos que todas as partes cumpram integralmente o cessar-fogo anunciado ontem e que as hostilidades terminem”, afirmou Sánchez, sublinhando que “a paz é o único futuro” para o Líbano, onde a Espanha tem mais de 600 efetivos destacados na FINUL.

O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, também se juntou à condenação, transmitindo suas “condolências ao povo e ao governo sérvios” pela morte do “capacete azul” e seus “melhores votos” de recuperação aos feridos.

ITÁLIA: ISRAEL TAMBÉM DEVE ABSTENER-SE DE UMA ESCALADA

Nesse sentido, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, expressou o apoio de seu país ao cessar-fogo entre o Líbano e Israel, reiterando sua “total disponibilidade” para participar “do fortalecimento das instituições e das Forças Armadas libanesas”.

No entanto, ele advertiu que, “para defender o cessar-fogo”, o Hezbollah deve “interromper totalmente” qualquer ação militar contra Israel e aceitar as decisões do governo legítimo do Líbano.

Ele também compartilhou sua opinião sobre a necessidade de que “também Israel” renuncie “a uma escalada militar”. “O caminho da diplomacia é o único para alcançar a paz”, indicou o chefe da diplomacia italiana em outra mensagem nas redes sociais.

Na mesma linha, se expressou o ministro das Relações Exteriores da Estônia, Margus Tsahkna, que acolheu com “satisfação” o cessar-fogo, considerando-o “um passo crucial para reduzir as tensões e abrir um caminho a seguir”.

“Uma paz duradoura deve ser agora nosso objetivo comum. O povo libanês continua a suportar o fardo mais pesado deste conflito e precisa de apoio humanitário contínuo. A Estônia está disposta a ajudar o governo libanês no avanço do desarmamento do Hezbollah e na restauração da soberania plena”, afirmou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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