FRANCOIS LENOIR // EUROPEAN COUNCIL
BRUXELAS 20 out. (EUROPA PRESS) -
A União Europeia disse nesta segunda-feira que a entrada em vigor da primeira fase do acordo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o futuro de Gaza mudou a situação no terreno, arrefecendo as sanções contra Israel, mas insistindo que deve haver um melhor acesso humanitário e a consolidação do cessar-fogo.
"O cessar-fogo passou em seu primeiro teste. Acho que é uma boa primeira fase. Mas é claro que temos que trabalhar no que mais podemos fazer para alcançar uma paz sustentável no Oriente Médio", disse o Alto Representante da UE, Kaja Kallas, antes da reunião dos ministros das Relações Exteriores em Luxemburgo.
Com relação a isso, ela enfatizou que "ainda há muito a ser feito" para que a ajuda humanitária chegue ao local e para que o cessar-fogo seja mantido. De qualquer forma, quando perguntada sobre os planos da UE de sancionar Israel, Kallas disse que a situação "mudou" e que essas medidas "ainda estão sobre a mesa", mas caberá aos ministros decidir o que fazer com elas.
Essas declarações foram feitas antes da reunião em que a UE discutirá sua contribuição para a situação em Gaza, especialmente no que diz respeito à garantia de ajuda humanitária e ao trabalho para a reconstrução e segurança do enclave.
"Deploro as recentes violações do cessar-fogo com ataques israelenses em Gaza, que se seguiram a ataques a soldados. Todas as partes devem respeitar rigorosamente os compromissos assumidos no acordo assinado na semana passada em Sharm el-Sheikh", enfatizou o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Nöel Barrot, antes da reunião.
Nesse sentido, ele pediu o fortalecimento das missões civis da UE em Gaza e na Cisjordânia para que possam contribuir para a estabilidade da área. No caso da EUBAM Rafah, "não apenas na segurança da passagem de pessoas, mas também das mercadorias que devem chegar em massa" para melhorar a situação da população palestina.
Enquanto isso, Barrot apontou para um possível uso da missão policial na Cisjordânia para ajudar as forças palestinas a se estabelecerem em Gaza, seguindo o plano de Trump para a saída do Hamas e a instalação de um governo tecnocrático na Faixa.
Na mesma linha, a Espanha pediu um papel reforçado para as missões civis europeias. "Elas são fundamentais e seu mandato deve ser ampliado para participar de todos os aspectos da estabilização", defendeu o ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, insistindo que devem ser criados mecanismos para consolidar o cessar-fogo na Faixa.
Para Albares, a UE "está muito longe" de poder "retirar" as sanções contra Israel, em um momento em que os Estados-membros da UE mais relutantes em punir Tel Aviv estão pedindo para colocar as restrições na gaveta e se concentrar em contribuir para o cessar-fogo acordado por Trump.
"É muito bom ver um cessar-fogo. É essencial que ele seja mantido, mas agora também é importante que analisemos todos os outros pontos desse plano de paz", disse o chefe de Estado irlandês, Simon Harris, ressaltando que o objetivo final é que dois Estados possam viver juntos em paz e segurança.
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