Os 27 já estão trabalhando para ter pronto o vigésimo pacote de sanções contra o Kremlin no quarto aniversário da guerra BRUXELAS 29 jan. (EUROPA PRESS) -
Os Estados-Membros da UE aprovaram nesta quinta-feira a imposição de sanções contra seis propagandistas e apresentadores de televisão da Rússia após sua inclusão no regime comunitário para responder à tentativa do Kremlin de desestabilizar sistemas democráticos e interferir em processos eleitorais ou sabotagens econômicas.
Esta ampliação da lista de sancionados pela UE foi aprovada na reunião que os ministros das Relações Exteriores dos 27 países da União realizaram nesta quinta-feira em Bruxelas, visando desta vez um total de seis figuras da televisão russa e do mundo da cultura.
Concretamente, o Conselho da UE incluiu na sua lista de sanções os apresentadores de televisão Dmitri Guberniev, Ekaterina Andreeva e Maria Sittel, bem como o propagandista Pavel Zarubin. Todos eles têm trabalhado ou apoiado canais de televisão de propaganda russos ou apresentado comícios e programas de desinformação sobre a guerra na Ucrânia.
Também estão incluídas nas sanções figuras culturais como o ator Roman Chumakov e o bailarino russo nascido na Ucrânia Sergey Polunin, que através do seu trabalho “promovem propaganda pró-russa e teorias conspirativas sobre a invasão russa da Ucrânia”, bem como “narrativas antiucranianas e antiocidentais”, de acordo com um comunicado dos Vinte e Sete.
Além disso, todos eles “contribuem ativamente” para a guerra da Rússia contra a Ucrânia, por exemplo, através da angariação de fundos para as Forças Armadas russas. Com a decisão de hoje, as medidas restritivas já foram aplicadas a um total de 65 pessoas e 17 entidades. As pessoas incluídas na lista estão sujeitas a um congelamento de ativos, e os cidadãos e empresas da UE estão proibidos de disponibilizar fundos, ativos financeiros ou recursos econômicos a elas. As pessoas físicas também enfrentam uma proibição de viagem que as impede de entrar ou transitar pelos territórios da UE. TRABALHOS PARA O 20º PACOTE DE SANÇÕES
Paralelamente a estas sanções, os 27 também incluíram “sem objeções” a Rússia na lista negra por risco de lavagem de dinheiro, conforme anunciado pela Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, em uma coletiva de imprensa após a reunião de ministros.
“Isso irá desacelerar e aumentar os custos das transações com os bancos russos”, explicou a chefe da diplomacia europeia, que esta manhã defendeu que “qualquer meio para pressionar a Rússia a negociar de verdade é bom e vamos seguir em frente com isso”.
Da mesma forma, os ministros discutiram o vigésimo pacote de sanções contra a Rússia, segundo Kallas, detalhando que a intenção é tê-lo pronto para coincidir com o quarto aniversário do início da invasão russa da Ucrânia, em 24 de fevereiro.
Embora ainda não haja um acordo sobre as medidas concretas que esse pacote irá incluir, Kallas informou que, durante a jornada, os diferentes países colocaram em cima da mesa várias propostas, como a proibição total dos serviços marítimos, sanções adicionais sobre a energia ou fertilizantes.
Outra das propostas foi a proibição de entrada no espaço Schengen de ex-combatentes russos, uma medida que “muitos Estados-membros” apoiaram por considerarem que representam “um risco para a segurança” da UE.
Kallas continuou explicando que há um grande número de ex-militares russos em solo europeu e que foi acordado levar essa proposta “adiante e avaliar o interesse”, como, por exemplo, reservá-la para o caso de precisar ser usada no futuro, se houver um cessar-fogo. “Essas são propostas, estão apenas em discussão e o trabalho está em andamento. Não posso dizer que tenhamos um acordo agora. Caso contrário, já teríamos declarado que o temos. Mas hoje tivemos muito trabalho conjunto”, concluiu. A UE NÃO LIGARÁ PARA O KREMLIN
Por outro lado, questionada sobre a evolução das negociações de paz tripartidas entre os Estados Unidos, a Rússia e a Ucrânia na capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi, e se considera que a UE deveria tomar alguma medida, como ligar para Moscou para se sentar à mesa, Kallas respondeu que a UE não tem “nada a oferecer”.
“Não podemos ser os demandantes aqui, dizendo que, vocês sabem, vamos à Rússia, conversem conosco. A situação atual é que as concessões que os americanos estão fazendo à Ucrânia são bastante fortes. Portanto, não creio que haja nada que possamos oferecer à Rússia além do que eles já conseguiram em seu entendimento com os americanos”, acrescentou.
A estratégia de Bruxelas deve ser, em sua opinião, continuar a exercer “mais pressão sobre a Rússia” para que “deixem de fingir que estão negociando e passem a negociar de verdade”, aludindo ao fato de que, nas conversações, o Kremlin enviou “pessoal militar” e não diplomático, enquanto continua seus ataques em solo ucraniano.
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