Nicolas Landemard / Zuma Press / Europa Press
BRUXELAS 11 set. (EUROPA PRESS) -
A União Europeia reiterou que os assentamentos na Cisjordânia são “ilegais” nos termos do Direito Internacional, após as críticas do ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, às recentes declarações da Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, que propôs proibir o comércio com os assentamentos, da mesma forma que foi feito com a anexação “ilegal” da Crimeia pela Rússia.
“A posição de longa data da UE é que os assentamentos na Cisjordânia são ilegais de acordo com o Direito Internacional. Eles constituem um obstáculo à paz e à viabilidade da solução de dois Estados”, afirmou o porta-voz do Serviço de Ação Externa da UE, Anouar El Anouni, em declarações à Europa Press.
Além disso, El Anouni lembrou que a União Europeia já proibiu “todas as importações, exportações e investimentos provenientes da península anexada ilegalmente ou destinados a ela” assim que Moscou efetivou sua anexação em 2014.
Isso ocorre depois que o chefe da diplomacia de Israel criticou as recentes declarações de Kallas sobre a proibição do comércio com os assentamentos israelenses, nas quais ele sugeriu que a UE deveria tratar a questão “da mesma forma” que fez quando a Rússia anexou “ilegalmente” a Crimeia.
“A comparação feita por Kaja Kallas não tem qualquer base factual ou jurídica e é totalmente inaceitável. A ligação do povo judeu e seus direitos à Judeia e Samaria (Cisjordânia) e à Terra de Israel estão documentados de forma muito mais extensa do que os de qualquer outro povo na história da humanidade”, criticou Saar.
Assim, o ministro destacou que, apesar das comparações de Kallas, a Cisjordânia “nunca pertenceu a um Estado palestino, que nunca existiu”. “Até mesmo os próprios palestinos assinaram uma solução negociada para os territórios em disputa”, indicou.
“O que a Alta Representante para Assuntos Externos e Política de Segurança está tentando fazer? Comparar a única democracia no Oriente Médio, que contribui de tantas maneiras para a defesa e a segurança da Europa, com a Rússia? Ela parou para pensar no que realmente está dizendo?”, questionou.
O Reino Unido anunciou esta semana o veto à importação de produtos provenientes dos assentamentos, uma medida tomada em coordenação com a França e o Canadá, países que se somam aos Países Baixos, Irlanda, Bélgica, Espanha e Noruega, que já iniciaram o processo para proibir o comércio com os territórios ocupados.
As sanções comerciais no seio da UE contra Israel são um assunto que vem se arrastando desde o ano passado, quando, no mês de setembro, a Comissão Europeia propôs a suspensão parcial do Acordo de Associação, mas até o momento não obteve o apoio necessário — maioria qualificada — para que a medida fosse aprovada.
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