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Von der Leyen e Costa visitarão Kiev enquanto Orbán bloqueia novas sanções e o empréstimo de 90 bilhões BRUXELAS 23 fev. (EUROPA PRESS) -
A União Europeia reforçou os símbolos de apoio a Kiev ante o quarto aniversário da invasão russa da Ucrânia com atos extraordinários, exibição de bandeiras e a viagem de seus dois principais mandatários à capital ucraniana, demonstrações de apoio que contrastam com a divisão existente entre os 27, refletida nesta segunda-feira com o bloqueio da Hungria a duas medidas fundamentais.
Nesta segunda-feira, os ministros das Relações Exteriores da União Europeia se reuniram em Bruxelas para tentar, sem sucesso, aprovar o vigésimo pacote de sanções contra a Rússia e dar a última aprovação necessária a uma modificação do orçamento comunitário para aprovar o empréstimo de 90 bilhões de euros a Kiev, a fim de cobrir suas necessidades urgentes de financiamento.
Budapeste havia avisado na véspera que vetaria as sanções à Rússia e o empréstimo à Ucrânia, alegando que Kiev está boicotando o fluxo de petróleo para seu país através do oleoduto Druzhba, o mais longo do mundo e principal via de transporte de petróleo russo para a Europa. Finalmente, cumpriu sua ameaça após ter criticado a Comissão Europeia por defender mais um Estado fora da UE do que outro que já faz parte do bloco comunitário.
A decisão húngara foi criticada tanto pela Alta Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas, como pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, que reprovaram o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, pelo veto a um acordo que ele próprio assinou numa cimeira de líderes em dezembro passado, o empréstimo à Ucrânia.
No entanto, Bruxelas considerou que, apesar do bloqueio desta segunda-feira, ainda há margem para cumprir todos os trâmites que permitam o primeiro desembolso da ajuda a Kiev, o mais tardar em abril, quando a Ucrânia precisará de liquidez. Além disso, fontes europeias apontaram a possibilidade de que, nesta terça-feira, os líderes que vão à Ucrânia para o aniversário da guerra tentem convencer a Hungria a reconsiderar sua opinião.
VIAGEM A KIEV E COMPARECIMENTO DE ZELENSKI No início do dia de segunda-feira, a grande maioria dos chefes diplomáticos, incluindo a Alta Representante Kaja Kallas e a comissária para a Gestão de Crises, Hadja Lahbib, usaram flores com as cores da bandeira da Ucrânia na lapela, um gesto que não impediu a Hungria de cumprir sua ameaça de bloquear ambas as medidas.
Também não adiantou hastear a bandeira da Ucrânia em frente ao edifício Berlaymont, sede da Comissão Europeia, um gesto que a própria chefe do Executivo comunitário, Ursula von der Leyen, justificou como uma forma de a bandeira ucraniana hastear “com orgulho no coração” da UE, “onde pertence”.
Aos gestos desta segunda-feira somar-se-á a viagem de Von der Leyen e Costa à Ucrânia, que estarão em Kiev na terça-feira para comemorar o quarto aniversário da agressão da Rússia contra a Ucrânia, onde participarão na cerimônia comemorativa oficial juntamente com outros líderes europeus.
Além disso, os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu realizarão uma reunião trilateral com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, bem como uma reunião da Coalizão de Voluntários convocada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.
Na reunião, que terá lugar no momento em que a agressão russa entra no seu quinto ano, os parceiros da Ucrânia reafirmarão o compromisso dos 35 países participantes de apoiar Kiev na consecução de uma paz duradoura e sólida.
Também será realizada uma sessão plenária extraordinária na sede do Parlamento Europeu em Bruxelas, na qual Volodimir Zelenski se dirigirá aos eurodeputados por meio de teleconferência. Pouco depois, os parlamentares discutirão a situação da invasão da Rússia e votarão uma resolução em apoio à Ucrânia. A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, afirmou que a sessão enviará um “sinal importante” sobre o compromisso inabalável da UE de apoiar a Ucrânia e de proteger o “corajoso povo” ucraniano.
Tudo isso, apesar da divisão evidenciada nesta segunda-feira entre os 27 por causa do bloqueio da Hungria, que rejeitou a ideia mantida em Bruxelas nas últimas semanas de comemorar o aniversário da guerra com um ambicioso pacote de sanções contra Moscou e com a aprovação definitiva do empréstimo de 90 bilhões à Ucrânia que vem sendo negociado desde dezembro.
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