Publicado 15/04/2026 07:58

A UE reconhece o caráter "pacífico" das eleições no Peru, apesar da desconfiança e das dificuldades para votar

A missão eleitoral da UE destaca o compromisso dos órgãos eleitorais com "a transparência e a neutralidade"

A Missão de Observação Eleitoral da UE para as eleições no Peru
MOE

BRUXELAS, 15 abr. (EUROPA PRESS) -

A Missão de Observação Eleitoral (MOE) da União Europeia, que esteve presente nas eleições gerais no Peru no fim de semana, garantiu que as eleições transcorreram “em geral, de forma pacífica” e com respeito às liberdades fundamentais, embora tenha apontado “exceções” provocadas pelos “baixos níveis de confiança” nas instituições e pela elevada complexidade técnica da cédula eleitoral.

Em uma declaração preliminar feita antes do encerramento total da apuração — que, por enquanto, coloca a candidata da Fuerza Popular (FP), Keiko Fujimori, como vencedora do primeiro turno das eleições —, a MOE também destacou o “compromisso” das autoridades eleitorais com a transparência e a neutralidade do processo, apesar dos desafios e incidentes logísticos registrados durante o dia.

“A MOE observou a abertura das urnas e o processo de votação em todos esses centros. No que diz respeito ao processo eleitoral como um todo, observou-se que a disputa eleitoral decorreu, em geral, de forma pacífica e com respeito às liberdades fundamentais, embora tenha havido algumas exceções, como os ataques verbais e digitais contra jornalistas e os órgãos eleitorais”, diz o relatório.

Após constatar que essas eleições “foram as mais complexas da história recente da República do Peru”, a missão destacou que elas foram realizadas em um marco jurídico reformado que “apresentou inúmeros desafios” tanto para os eleitores quanto para a administração eleitoral, a que se soma a notável “fragmentação do sistema partidário” com a participação de 37 organizações políticas.

Assim, citou como exemplo “a complexidade da cédula eleitoral”, cuja compreensão por parte dos eleitores foi “boa ou muito boa” em quase todas as 620 seções eleitorais observadas, embora a apuração tenha sido “afetada pela complexidade dos procedimentos e pela preparação insuficiente do pessoal”, embora tenham sido “em geral transparentes e bem-intencionados”.

O dia das eleições, segundo a MOE, “transcorreu de forma tranquila e ordenada na maior parte do país”, mas “com atrasos significativos” na abertura dos centros de votação em algumas zonas de Lima, onde 13 locais de votação não abriram devido à falta de material eleitoral.

Além disso, a MOE destacou que os atrasos obrigaram os eleitores a ficar em filas por horas, “gerando muita frustração e descontentamento”, embora as autoridades eleitorais tenham tomado “uma decisão rápida e positiva” ao habilitar a votação nesses locais no dia seguinte, garantindo e dando prioridade ao direito ao voto e à participação dos 55.261 eleitores afetados.

A UE também afirmou que a transmissão dos resultados foi fluida, “mas lenta”, já que a apuração ainda não foi concluída três dias após a realização das eleições, faltando ainda revisar mais de 10% das cédulas contabilizadas. A apuração ainda se situa em 89,5%, de acordo com dados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).

COMPLEXIDADE TÉCNICA E DESCONFIANÇA DOS CIDADÃOS

A missão da UE também destacou que, ao longo das duas últimas legislaturas, “diversos fatores” contribuíram para uma “diminuição considerável” da confiança dos cidadãos nas instituições estatais e na classe política.

“As pesquisas de opinião, que mostraram baixos níveis de confiança em muitas instituições públicas e uma falta de apoio substancial a qualquer um dos candidatos, refletiram uma desconexão entre a população e a classe política”, afirma a declaração preliminar.

A MOE, por sua vez, assinalou que as recentes reformas constitucionais, incluindo a concentração de poder no futuro Senado, “podem ter um impacto no sistema político de freios e contrapesos”. Além disso, lamentou as disposições aprovadas que permitem aos atuais congressistas concorrerem à reeleição imediata e aos candidatos presidenciais se apresentarem simultaneamente às eleições legislativas.

“Um total de 26 dos 35 candidatos presidenciais também se candidataram ao Congresso. A reforma que estabelece que só pode haver uma cédula única, juntamente com o grande número de organizações políticas que se apresentaram às eleições e a reintrodução do sistema bicameral e do voto preferencial, aumentaram a complexidade da cédula e do processo de votação”, explicou.

PAPEL TRANSPARENTE DOS ÓRGÃOS ELEITORAIS

A UE destacou o papel dos três órgãos eleitorais — o Jurado Nacional de Eleições (JNE), o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) e o Registro Nacional de Identificação e Estado Civil (RENIEC) —, afirmando que “demonstraram um firme compromisso com a transparência e a neutralidade”.

“Os órgãos eleitorais mostraram-se determinados a reforçar a confiança do público e dos candidatos no processo eleitoral, em particular por meio de amplas campanhas de educação eleitoral, tanto presenciais quanto digitais. Os preparativos eleitorais foram, em geral, adequados e realizados de acordo com o calendário eleitoral”, indica o MOE.

Desta forma, citou como exemplo que a ONPE adotou várias medidas para lidar com a complexidade adicional do processo, como “a ampliação do período de capacitação dos membros das mesas eleitorais” e o aumento do número de escritórios descentralizados e centros de computação de resultados.

Também destacou a incorporação de novas tecnologias ao processo eleitoral, como o uso de inteligência artificial “com o objetivo de reduzir erros humanos, agilizar a publicação dos resultados e melhorar a transparência e a rastreabilidade”.

Sobre o desenrolar da campanha eleitoral como um todo, a missão da UE afirmou que as liberdades fundamentais “foram amplamente respeitadas” ao longo da campanha, “exceto em alguns redutos políticos” onde os candidatos dos partidos da oposição “foram alvo de ataques verbais e físicos”.

“Em geral, a campanha foi discreta, com candidatos que se dirigiram aos eleitores por meio de reuniões mais restritas, outdoors e atividades de porta em porta”, prossegue o relatório, informando que as plataformas online foram o principal palco da campanha eleitoral, sendo o Facebook e o TikTok as mais populares.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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