BRUXELAS 10 mar. (EUROPA PRESS) -
A União Europeia pediu nesta segunda-feira o fim da violência e uma investigação completa sobre o massacre de quase mil civis, em sua maioria da minoria alauíta, no oeste da Síria, após ataques de milícias favoráveis ao presidente deposto Bashar al-Assad, embora tenha evitado apontar a responsabilidade das novas autoridades neste episódio e endossado sua "rápida reação".
"A UE pede uma rápida cessação da violência e uma investigação completa", afirmou a comissária para a Igualdade e Gestão de Crises, Hadja Lahbib, em uma mensagem nas redes sociais na qual valorizou como "passo essencial" a criação de uma comissão de inquérito sobre os episódios de violência no oeste da Síria contra membros da minoria alauíta.
Lahbib ressaltou que, após 14 anos de conflito no país, o povo sírio "merece a paz" e uma "transição inclusiva", enfatizando que a Síria "não deve cair em uma guerra civil".
AS AUTORIDADES DE TRANSIÇÃO REAGIRAM "RAPIDAMENTE".
Em uma coletiva de imprensa em Bruxelas, a porta-voz de relações exteriores da UE, Anitta Hipper, destacou o "alarme" com a situação na Síria, mas enfatizou que a espiral de violência "começou com ataques das forças pró-Assad", aos quais ela atribuiu "assassinatos de civis inocentes".
Nesse sentido, evitou apontar o dedo para as forças aliadas ao governo sírio de transição, lideradas por membros do grupo jihadista Hayat Tahrir al Sham (HTS). "Vimos que as autoridades interinas reagiram rapidamente e exigimos que os responsáveis sejam levados à justiça", argumentou.
"É muito importante que os fatos sejam estabelecidos primeiro. Temos visto muita manipulação de informações, muita desinformação", disse Hipper, observando que a UE aguarda os resultados da comissão de inquérito.
Nesse sentido, a porta-voz europeia reiterou o interesse comum da comunidade internacional em ter uma Síria estável, o que, segundo ela, seria alcançado com uma transição inclusiva. "Não há alternativa para isso", enfatizou.
Hipper não comentou sobre a possibilidade de a UE voltar atrás no processo de levantamento das sanções, que começou a ser aplicado no final de fevereiro e que está sendo condicionado ao sucesso de uma transição inclusiva e pacífica na Síria.
Fontes européias explicaram à Europa Press que é prematuro saber se os Estados membros tomarão decisões nesse sentido, o que teria que começar com uma proposta firme da Alta Representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, e ser aprovada por unanimidade pelos parceiros europeus.
Nas últimas horas, países como a Alemanha e a França condenaram a violência nas regiões sírias de Tartous, Latakia e Homs, dizendo que os assassinatos de civis e prisioneiros "são chocantes". "O governo de transição tem a responsabilidade de evitar novos ataques, investigar os incidentes e responsabilizar os culpados", disse o Ministério da Defesa alemão.
Na segunda-feira, as autoridades instaladas na Síria após a queda de al-Assad em dezembro anunciaram o fim da operação lançada há quatro dias no oeste do país contra milicianos leais ao ex-presidente.
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