FREDERIC SIERAKOWSKI / EUROPEAN COUNCIL
Declaram "solidariedade humanitária" ao povo cubano e apelam ao respeito pelos princípios humanitários internacionais
BRUXELAS, 22 maio (EUROPA PRESS) -
A União Europeia e o México marcaram nesta sexta-feira o início de um “novo capítulo de parceria estratégica” naquela que foi a primeira cúpula bilateral em mais de uma década, um encontro que serve de marco para a assinatura dos acordos que modernizam seus acordos de parceria e comércio e com o qual as duas regiões declaram seu compromisso com a ordem internacional, "pela paz e pela diplomacia" como a via para resolver conflitos em um cenário de crescentes tensões geopolíticas, como a crise no Estreito de Ormuz ou os confrontos com o governo dos Estados Unidos.
"Expressamos nossa preocupação com as crescentes tensões geopolíticas em diferentes regiões do mundo. Reafirmamos a importância dos propósitos, normas e princípios da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional, incluindo a soberania dos Estados, a integridade territorial e a autodeterminação, bem como nosso firme compromisso com eles”, afirma a Declaração Conjunta UE-México.
“Salientamos a importância de resolver os litígios por meios pacíficos e pela diplomacia”, prossegue o documento publicado ao término da cúpula que teve como anfitriã, na Cidade do México, a presidente do país, Claudia Sheinbaum, e à qual compareceram, em representação da União, os presidentes do Conselho Europeu, António Costa, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; bem como o comissário de Comércio, Maros Sefcovic, e a Alta Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas.
O documento de quase cinco páginas, que destaca os pontos-chave da cúpula, também assinala que a União Europeia e o México abordaram a situação na Ucrânia e no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que reafirmam seu apoio aos esforços voltados para alcançar uma paz justa e duradoura, em consonância com as resoluções das Nações Unidas.
Além disso, dedicam uma linha à situação em Cuba para sublinhar o “compromisso comum com a dignidade humana, a cooperação multilateral e a solidariedade humanitária com o povo cubano, bem como a importância de respeitar os princípios humanitários internacionais”.
“Os acordos que assinaremos na Cidade do México são uma verdadeira declaração geopolítica, uma demonstração do nosso compromisso com o comércio justo, a prosperidade compartilhada, a sustentabilidade e a cooperação baseada em regras”, indicou Costa ao chegar à cúpula, horas antes da assinatura formal dos acordos que atualizam uma relação comercial e de cooperação que já estava enquadrada em um acordo global desde o ano 2000, mas que agora eliminará a maioria das tarifas restantes, especialmente no setor agroalimentar.
A chefe do Executivo comunitário, por sua vez, considerou a cúpula um momento de “importância histórica” e destacou que, após esse marco, a UE e o México iniciam uma “parceria mais forte”. “A coerção econômica e a agressão territorial exercem uma pressão crescente sobre nossos valores e interesses comuns. Nossa resposta deve ser nos adaptarmos e colaborarmos ainda mais estreitamente”, defendeu a conservadora alemã durante a reunião.
No entanto, as duas regiões reconhecem na Declaração a “necessidade de estreitar os diálogos setoriais” em áreas como a luta contra as mudanças climáticas, a preparação para desastres, a saúde alimentar, a inovação, o turismo ou a agricultura sustentável, ao mesmo tempo em que reiteram a vontade de impulsionar os contatos entre pessoas de ambos os lados do Atlântico, por exemplo, por meio do intercâmbio acadêmico no âmbito do programa Erasmus+.
Anunciam também o lançamento de um diálogo de alto nível sobre segurança e migração, defendem uma melhor cooperação entre polícias e autoridades judiciais e apontam para uma maior colaboração em matéria energética.
Apesar de terem passado onze anos desde a última vez que a União Europeia e o México realizaram uma cimeira bilateral, nesta ocasião a Declaração inclui igualmente o compromisso de que estas reuniões tenham lugar a cada dois anos, ao mesmo tempo em que afirmam que transmitirão às autoridades das duas regiões a necessidade de garantirem o cumprimento, em seu território, dos acordos assinados neste encontro — e que ainda aguardam ratificação para entrar em vigor.
“Em um momento marcado por turbulências crescentes e profundas transformações, optamos por ampliar, aprofundar e atualizar os laços de nossa aliança estratégica, com base em nossa história, valores e compromisso compartilhados com o multilateralismo e a ordem internacional baseada em normas”, estabelece o documento.
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