BRUXELAS, 17 jul. (EUROPA PRESS) -
A União Europeia e a Islândia anunciaram nesta quinta-feira que negociarão uma parceria de segurança e defesa na qual Reykjavik e Bruxelas cooperarão estreitamente em questões como proteção de infraestrutura, ameaças híbridas e proteção civil em caso de desastres.
"Decidimos iniciar negociações sobre uma parceria de segurança e defesa, e esperamos finalizá-la até o final do ano, talvez em alguns meses", confirmou a primeira-ministra islandesa Kristrún Frostadóttir em uma coletiva de imprensa com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que está visitando o país escandinavo.
O líder islandês saudou a medida, dizendo que a ilha precisava mostrar à Europa que "os islandeses têm uma mentalidade muito mais segura do que pensam" e, apesar de não terem um exército, estão acostumados a viver sob a incerteza de crises naturais. "Temos uma proteção civil muito forte, uma busca e resgate muito fortes, e essa mentalidade será transferida muito bem para outras áreas", disse ele.
Von der Leyen enfatizou que esse acordo permitirá que a Islândia entre na rede de segurança europeia, facilitando sua participação em programas de investimento militar, como os empréstimos de 150 bilhões da Comissão Europeia, ou em esquemas de proteção civil.
Ele ressaltou que a UE e a Islândia cooperarão para enfrentar ameaças comuns, como ameaças cibernéticas e ataques a infraestruturas essenciais. Ele quis destacar a preparação da Islândia para crises, uma das políticas que Bruxelas quer desenvolver até 2030. "A preparação da Islândia não é apenas uma política, eu diria que é um modo de vida. E a Europa tem muito a aprender com vocês nesse aspecto", acrescentou.
REVISÃO DA ESTRATÉGIA ÁRTICA DA UE
No auge do boom geopolítico na região do Ártico, Von der Leyen reconheceu a necessidade de a UE rever sua posição na área, em face das manobras das principais potências.
"A Rússia e a China estão aumentando suas atividades econômicas e sua presença estratégica nessa região. E sabemos que a Europa deve se adaptar a essas novas realidades", enfatizou.
A conservadora alemã apontou para uma estratégia renovada que incluiria contribuições da Islândia, cuja "posição geoestratégica única" e experiência em questões do Ártico ela destacou.
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