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BRUXELAS 23 jun. (EUROPA PRESS) -
A União Europeia disse nesta segunda-feira que espera medidas de Israel para melhorar a situação na Faixa de Gaza após o relatório da Alta Representante, Kaja Kallas, que aponta "indícios" de que as forças israelenses estão violando os direitos humanos, mas voltou a esfriar a opção de retaliação, depois de indicar que o objetivo não é "punir".
"A revisão é muito clara e temos que melhorar a situação. Israel tem violado o Artigo 2. O objetivo não é punir Israel, mas trazer melhorias concretas para o povo de Gaza", disse ela em uma coletiva de imprensa após a reunião dos ministros das Relações Exteriores da UE-27.
Kallas indicou que, se a situação não melhorar, a UE pode discutir "medidas" e "voltar ao assunto em julho", embora não tenha especificado nenhuma retaliação, e disse que o bloco entrará em contato com Israel para apresentar as conclusões do relatório.
A chefe da diplomacia europeia indicou que todos os estados-membros querem ver progresso no terreno e uma melhora na situação humanitária na Faixa de Gaza, embora tenha reconhecido que ainda não se sabe que tipo de medidas a UE poderia adotar, dada a divisão entre os 27 países.
"As medidas existem, mas a questão concreta é sobre o que podemos concordar. Neste momento, o mais importante é melhorar a situação no terreno, melhorar a vida das pessoas na Palestina e acabar com o sofrimento e também com o custo humano que vemos lá todos os dias", disse ele.
Ao chegar à reunião, o Ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, liderou o apelo para que a UE suspendesse o Acordo de Associação, pedindo também um embargo de armas e sanções contra indivíduos israelenses que prejudicam a solução de dois estados, após o relatório de que Israel cometeu violações de direitos humanos durante sua ofensiva em Gaza.
Albares pediu "coragem" por parte da UE para tomar medidas contra Israel, uma vez que o relatório do Serviço de Ação Externa aponta para violações de direitos na ofensiva israelense em Gaza. Ele pediu a "suspensão imediata" do Acordo de Associação com Israel, um embargo à venda de armas e sanções individuais contra "todos aqueles que querem arruinar a solução de dois estados de uma vez por todas".
Por outro lado, o Ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, explicou, ao chegar à reunião em Bruxelas, que a Itália tem uma "posição diferente da da Espanha", pois considera "fundamental manter um diálogo" com Israel, já que "encerrar o relacionamento" também complicaria outras ações, como a evacuação de palestinos para hospitais ou o envio de ajuda.
Manter um diálogo aberto pode dar resultados", insistiu o chefe da diplomacia italiana, que quis deixar claro que a Itália não compartilha da "reação desproporcional" ou do "uso desproporcional da força" por parte de Israel na Faixa de Gaza e, por isso, pede um cessar-fogo imediato e apoia as sanções contra os colonos.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, reconheceu que a situação humanitária em Gaza é "inaceitável", mas também não vê sentido em suspender o acordo. "Precisamos de boas relações com Israel", disse ele à mídia em Bruxelas, onde chamou Israel de "o estado democrático do Oriente Médio".
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