ALEXANDROS MICHAILIDIS / EUROPEAN COUNCIL
BRUXELAS 24 abr. (EUROPA PRESS) -
A União Europeia espera desembolsar neste mês de junho a primeira parcela de 3,2 bilhões de euros do novo empréstimo de 90 bilhões destinado à Ucrânia, após a aprovação definitiva do instrumento pelos 27 Estados-membros nesta quinta-feira, após dois meses de veto por parte da Hungria.
Isso foi confirmado por fontes comunitárias, que detalharam a estrutura do crédito acordado pelos líderes europeus em dezembro e que foi desbloqueado nesta semana após Kiev concluir a reparação do oleoduto Druzhba, cuja paralisação havia servido de argumento para Budapeste — e também para Bratislava no caso das sanções — para frear qualquer medida favorável à Ucrânia.
Com a aprovação da alteração do quadro financeiro plurianual da União, último trâmite necessário para completar a base jurídica do instrumento, Bruxelas aspira agora a acelerar sua implementação para que tanto a ajuda financeira quanto a militar comecem a fluir no segundo trimestre deste ano.
O empréstimo, que será financiado por meio de emissões de dívida nos mercados pela UE, destinará, em termos gerais, cerca de 30 bilhões de euros para cobrir as necessidades econômicas mais imediatas da Ucrânia e cerca de 60 bilhões destinados a reforçar sua indústria militar.
O primeiro desembolso provirá da assistência macrofinanceira, a via mais ágil — explicam as mesmas fontes — para canalizar fundos, e insere-se no planejamento acordado com Kiev para 2026, que reserva 16,7 bilhões de euros para sustentar as contas públicas ucranianas e outros 28,3 bilhões para potencializar suas capacidades de defesa.
No total, a estratégia aprovada nesta quinta-feira prevê a mobilização de 45 bilhões de euros até o final deste ano, enquanto a outra metade do empréstimo ficará reservada para 2027. Uma distribuição que, no entanto, não é imutável e poderá ser revista posteriormente se a evolução da guerra obrigar a reajustar as necessidades de financiamento, conforme explica a Comissão Europeia.
De cara aos próximos meses, Bruxelas prevê completar o apoio financeiro com novos desembolsos ao longo do ano para adequar as entradas de fundos às necessidades de Kiev. Assim, após a primeira parcela, estão sendo consideradas novas entregas no verão e no outono, embora o calendário concreto ainda esteja pendente de ajuste e seja coordenado com outros doadores e com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
PRIMEIRO PACOTE MILITAR CENTRADO EM DRONES
Paralelamente, a vertente militar do empréstimo terá início com um primeiro programa centrado na produção de drones no valor de 6 bilhões de euros, dentro de um esquema que permitirá à Ucrânia detalhar suas necessidades por meio de programas específicos de aquisição que deverão ser validados pelas instituições europeias.
Segundo precisaram as fontes, este primeiro pacote inclui componentes de origem chinesa, o que exigiu uma exceção específica para seu financiamento, em linha com um sistema que prioriza as compras dentro da UE e só permite recorrer a países terceiros de forma justificada.
Antes que esses fundos possam ser liberados, será necessário concluir várias etapas técnicas, entre elas a abertura de uma conta bancária específica na União — provavelmente na Alemanha — e a definição de mecanismos de supervisão que permitam controlar o uso do dinheiro.
Bruxelas trabalha, além disso, em novos programas de apoio militar que poderiam incluir munição, mais drones ou sistemas de defesa aérea, embora, por enquanto, esses processos ainda estejam em fase preliminar e sem um cronograma definido.
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