BRUXELAS 14 mar. (EUROPA PRESS) -
Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia discutirão na segunda-feira o plano de até 40 bilhões de euros proposto pela Alta Representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, para reforçar a entrega de equipamentos militares à Ucrânia, em um momento em que os Estados Unidos suspenderam sua ajuda e estão se aproximando da Rússia para iniciar negociações para um cessar-fogo.
Na mesa dos ministros estará a iniciativa da Alta Representante, que semanas atrás circulou uma proposta para um fundo de apoio militar voluntário com o qual a UE busca sustentar a ajuda a Kiev e manter pelo menos o nível de assistência anual fornecida desde a invasão russa de 2022, um pacote que poderia ser acompanhado por parceiros como o Reino Unido, a Noruega e o Canadá.
A iniciativa propõe que a UE mobilize 20 bilhões em ajuda militar à Ucrânia para este ano, e que poderia "potencialmente" chegar a 40 bilhões, dependendo das necessidades ucranianas e tendo em vista a retirada de Washington, de acordo com os dados contidos na proposta a que a Europa Press teve acesso.
O instrumento é apresentado como um veículo voluntário cujo montante total será distribuído de acordo com o peso econômico de cada país participante, o que significa que a Espanha receberia cerca de 8,68% do fundo, ou seja, mais de 3 bilhões.
Seguindo esse esquema, a UE contornará o possível veto da Hungria a novas iniciativas de ajuda à Ucrânia, com fontes diplomáticas considerando como certo que a UE precisa continuar tomando medidas sem Budapeste. "Esperamos que consigamos chegar a 27. Mas, se necessário, temos que encontrar uma maneira de fazê-lo a 26", enfatiza ele, em um pacote que, de qualquer forma, representa um compromisso político e não será juridicamente vinculativo.
DIVISÕES NA UE SOBRE O PLANO KALLAS
De qualquer forma, as letras miúdas do plano continuam a gerar dúvidas e ainda há posições muito distantes na UE com relação a aspectos fundamentais do pacote, como o valor total ou a distribuição do ônus entre os países. Em Bruxelas, algumas delegações da UE lamentam que a proposta tenha sido diluída em relação à proposta original e que represente pouca obrigação de compromisso para os Estados membros que terão muitas formas diferentes de apoio, o que pode, em última análise, impedi-los de fazer mais contribuições para Kiev.
Assim, dada a falta do consenso necessário, é provável que a ajuda à Ucrânia acabe gerando "uma espécie de coalizão dos dispostos", com um grupo de países liderando a iniciativa, reconhece uma fonte, dadas as muitas questões em aberto sobre o plano do ex-primeiro-ministro estoniano.
Em particular, eles apontam para o sul da Europa por arrastar os pés em relação à assistência a Kiev, argumentando que a UE já funciona "de fato" como uma "coalizão de interessados", uma vez que os países do leste e do centro da Europa arcam com a maior parte do ônus das entregas militares à Ucrânia.
Assim, o debate permanece verde em Bruxelas, com fontes diplomáticas esfriando a opção de o instrumento ser aprovado na reunião dos ministros das Relações Exteriores ou mesmo na próxima cúpula ordinária dos líderes da UE, na quinta-feira, 20 de março.
A própria natureza da distribuição do fundo também gera tensões entre os Estados membros. "É difícil entender por que um Estado membro não gosta da distribuição da renda nacional, pois ela é a medida definitiva da solidariedade e da justiça. É disso que se trata a UE, de solidariedade e de um esforço conjunto para garantir o futuro da Ucrânia", resume uma fonte europeia que lamenta que esse compromisso de capacitar a Ucrânia em 2025 não possa ser adotado imediatamente.
A iniciativa de Kallas propõe que a ajuda seja fornecida por meio de entregas bilaterais ou contribuições financeiras, e um alto funcionário da UE esclarece que novas entregas militares para a Ucrânia serão incluídas, bem como programas de treinamento para soldados ucranianos. Nesse contexto, cabe o anúncio do primeiro-ministro Pedro Sánchez de um novo pacote de ajuda militar de 1 bilhão de euros, igual ao valor que ele forneceu em 2024.
A Espanha pede que a emergência na assistência militar não acelere um debate que é complexo e aponta para a cúpula de líderes como o momento em que a discussão sobre a proposta será finalizada, enquanto a França exige que as garantias de segurança que fornecerá para controlar um acordo de paz na Ucrânia sejam levadas em consideração.
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