Publicado 17/10/2025 11:51

UE discute seu papel no futuro de Gaza e sua contribuição para a reconstrução e estabilidade na segunda-feira

Alta Representante da UE, Kaja Kallas, na reunião informal dos ministros das Relações Exteriores da UE em Nova York.
DEREK FRENCH // EU COUNCIL

Nova rodada de sanções contra a Rússia está no horizonte em meio à expectativa da reunião de Trump e Putin em Budapeste

BRUXELAS, 17 out. (EUROPA PRESS) -

Os ministros das Relações Exteriores dos 27 discutirão na segunda-feira o papel da União Europeia na estabilização da Faixa de Gaza, tendo em vista a oportunidade aberta pelo acordo de paz alcançado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que prevê a saída do exército israelense, o desarmamento do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e o estabelecimento de um governo tecnocrático no enclave.

Na primeira reunião de relações exteriores desde a assinatura histórica na cúpula de Sharm el-Sheikh, no Egito, a UE discutirá sua contribuição para a nova situação em Gaza, com a prioridade de apoiar os esforços humanitários para que a ajuda seja entregue em larga escala por atores internacionais, como a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA), além de apoiar os esforços de estabilização por meio da reativação de suas missões civis na passagem de Rafah e na Cisjordânia.

A UE está "esperançosa" com a nova era na Faixa, apesar dos desafios impostos por alguns pontos do plano de Trump, como o desmantelamento do Hamas e o estabelecimento de novas autoridades em Gaza. "Há milhares de problemas, mas pelo menos há um vislumbre de luz", diz uma fonte diplomática sobre o progresso que a consolidação de um cessar-fogo representa após mais de dois anos de conflito.

Dessa forma, a UE-27 está concentrando seus esforços em melhorar a situação humanitária e liderar o trabalho de reconstrução na Faixa de Gaza. Nesse processo, a UE mantém seu firme apoio à Autoridade Palestina para que ela desempenhe um papel importante na nova era que está se abrindo na Faixa, enquanto ainda há muitas incógnitas em relação às forças internacionais de estabilização propostas no plano de Trump, que, por enquanto, não fariam parte de uma missão "ad hoc" da UE.

"O papel da UE na região não depende do plano de Trump. Vamos começar por aí. A UE tem sido um ator ativo na região há muito tempo", dizem fontes diplomáticas, que enfatizam a importância de outros atores, como os Estados Unidos e os países do Golfo, se envolverem no financiamento da reconstrução.

A UE SUSPENDE AS SANÇÕES CONTRA ISRAEL

A UE suspendeu, por enquanto, a adoção de sanções contra Israel pelo alto número de mortes de civis na Faixa de Gaza, mais de 67 mil, e pelo bloqueio humanitário que causou uma situação catastrófica no enclave palestino. Tudo na esperança de que o acordo selado por Trump consolide a paz e crie um horizonte político para a criação de um Estado palestino.

Dada a insistência de países como Espanha, Irlanda e Bélgica nos últimos meses, que levou a UE a propor o cancelamento da parte comercial do Acordo de Associação com Israel, algumas delegações defendem manter a pressão sobre todos os atores e garantir que essas medidas não sejam retiradas da mesa. Em contrapartida, outros estados-membros insistem que este não é o momento de debater questões teóricas, mas sim de apoiar as autoridades palestinas no desafio de recuperar o controle de Gaza.

Prevê-se mais sanções possíveis sobre indivíduos que boicotam a saída diplomática e a viabilidade dos dois estados, que a UE continua a contemplar para responder se a situação piorar.

SANÇÕES CONTRA A RÚSSIA E UMA CÚPULA DE PAZ NA UCRÂNIA

A guerra na Ucrânia também marcará a agenda de segunda-feira, em uma reunião que ocorre após a visita do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, e o anúncio de Trump de que se reunirá com o presidente russo, Vladimir Putin, em Budapeste, em meio a dúvidas sobre o desenvolvimento da cúpula diante do mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional.

"Se Putin desembarcar, deve haver consequências lógicas, já que ele é uma pessoa procurada. Se a Hungria não desembarcar? Isso não ajuda, mas, infelizmente, ninguém ficará surpreso se os húngaros não prenderem Putin", admite uma fonte europeia.

Em meio à euforia com o acordo de paz em Gaza, o governo dos EUA fez do fim do conflito na Ucrânia uma prioridade e vem ameaçando dar a Kiev mísseis de longo alcance se Moscou não concordar em negociar um acordo de paz em breve.

De qualquer forma, a UE continua cética em relação à disposição da Rússia em negociar, acusando-a de continuar atacando alvos civis no país vizinho e de manter seus objetivos maximalistas, e enfatizando que qualquer acordo deve ter o apoio da Ucrânia e respeitar sua integridade territorial e independência.

Sendo assim, os ministros das Relações Exteriores da Europa continuarão suas discussões sobre a 19ª rodada de sanções contra Moscou, uma rodada que ataca particularmente o setor energético da Rússia e que o bloco espera aprovar na próxima semana, uma vez que supere a relutância da Eslováquia e da Hungria, os dois estados-membros mais simpáticos a Putin e que também continuam a ser altamente dependentes dos hidrocarbonetos russos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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