ALEXANDROS MICHAILIDIS / CONSEJO DE LA UE
BRUXELAS 9 abr. (EUROPA PRESS) -
A União Europeia denunciou nesta quarta-feira que a Rússia "mostra que não quer a paz" e pediu que seja pressionada a parar a guerra, já que continua sua agressão apesar da proposta de cessar-fogo da Ucrânia, que Moscou ainda não aceitou.
"Não parece estar diminuindo a velocidade. Desde que a Ucrânia aceitou o cessar-fogo incondicional, os ataques da Rússia só aumentaram", denunciou a Alta Representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, em uma coletiva de imprensa com o Primeiro Ministro ucraniano Denis Shmigal, após a reunião do Conselho de Associação UE-Ucrânia.
"A Rússia está mostrando claramente que não quer a paz. E agora a pergunta é: o que fazemos a respeito? Acho que a resposta certa é realmente pressionar aquele que quer a guerra, que é a Rússia, a querer a paz", disse o ex-primeiro-ministro da Estônia sobre as perspectivas de negociações com a Rússia após a falta de resultados concretos.
O chefe da diplomacia europeia insistiu que, neste momento, a Ucrânia "está travando uma guerra que somente a Rússia quer manter" e enfatizou que Kiev precisa de munição de grande calibre, ressaltando que a UE pode fornecer dois milhões de projéteis de artilharia, apesar do fato de que os 27 ainda não fecharam fileiras sobre a fórmula a ser seguida.
"Sabemos que essa munição está disponível no mercado. Só temos que seguir em frente. A UE e nossos Estados membros podem obtê-la já neste ano", argumentou, embora tenha indicado que "as coisas estão se movendo" entre os países da UE, reconhecendo que o principal obstáculo é o financiamento da ajuda.
"PROGRESSO INEGÁVEL" NA ADESÃO À UE
Com relação à adesão da Ucrânia à UE, a comissária para o Alargamento, Marta Kos, afirmou que Kiev está "progredindo inegavelmente" no caminho europeu, apontando que "é possível" abrir todos os capítulos das negociações para a adesão à UE em 2025, ecoando a demanda de Kiev nesse sentido.
"Não se trata de um processo burocrático. Trata-se de uma transformação nacional e a UE tem orgulho de trilhar esse caminho com a Ucrânia", destacou o comissário esloveno.
Diante da reticência que os estados-membros podem ter em relação à adesão da Ucrânia ao bloco, após a rejeição total expressa pela Hungria, o primeiro-ministro ucraniano defendeu a implementação das reformas exigidas pela UE, incluindo a das minorias, que Budapeste vem exigindo há anos para dar passos no caminho europeu de Kiev.
"Esperamos que os estados-membros encontrem um consenso, uma solução, para implementar todas as decisões necessárias. De nossa parte, estamos fazendo o nosso melhor e implementando todas as reformas necessárias", disse ele.
Nesse sentido, Kos reconheceu que a decisão de abrir mais capítulos de negociação está nas mãos dos Estados membros e que, no momento, "há consenso entre os 26 Estados membros da UE para avançar" e pediu à Hungria que aja de "boa fé" e demonstre compromisso com o processo de ampliação.
ACORDOS COM A UCRÂNIA
A reunião em Bruxelas serviu para a assinatura de uma série de acordos, incluindo acordos no valor de 300 milhões com o Banco Europeu de Investimento para apoiar o trabalho de reconstrução do país, especialmente em termos de infraestruturas de energia e água.
A UE e a Ucrânia também selaram a participação de Kiev em vários elementos do programa espacial da UE, incluindo o projeto de monitoramento por satélite Copernicus. Esse acordo dará à Ucrânia acesso ao futuro serviço de meteorologia espacial, que protegerá os satélites ucranianos de interrupções causadas por eventos meteorológicos espaciais, explicou o executivo da UE.
1 BILHÃO EM FUNDOS GERADOS POR ATIVOS CONGELADOS PARA A RÚSSIA
No contexto da reunião com a Ucrânia, a Comissão Europeia anunciou na quarta-feira o desembolso excepcional de 1 bilhão de dólares de ativos russos congelados na Europa, uma das linhas sob as quais a UE está fornecendo apoio macrofinanceiro a Kiev.
Com esses fundos, a UE eleva para 5 bilhões de euros o montante canalizado para a Ucrânia a partir de ativos russos congelados, dentro da estrutura dos 18,1 bilhões que a UE contribuirá para o empréstimo de 50 bilhões de dólares (48,533 bilhões de euros) para a Ucrânia, acordado no âmbito da cúpula do G7.
Isso é para Kiev sustentar o esforço militar e de reconstrução, bem como para o reparo da infraestrutura de energia e das redes de transporte.
Bruxelas também informou que já solicitou 2,1 bilhões em lucros gerados pelos ativos imobilizados para uma segunda transferência após a primeira transferência em julho do ano passado. Esses fundos são equivalentes às receitas geradas pelos ativos russos durante a segunda parte de 2024.
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