ALEXANDROS MICHAILIDIS // EUROPEAN COUNCIL
BRUXELAS 24 jul. (EUROPA PRESS) -
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse nesta quinta-feira que a União Europeia trabalhará com a China em busca de soluções "pragmáticas" para as barreiras comerciais e distorções de Pequim que criam um desequilíbrio comercial, uma situação que levou Bruxelas a alertar sobre um "ponto de virada" nas relações.
"Concluo da cúpula que há muito que podemos fazer juntos. Apesar de nossas diferenças, e há diferenças, podemos encontrar soluções pragmáticas", disse a presidente da UE em uma coletiva de imprensa em Pequim, no final da cúpula realizada com o presidente chinês, Xi Jinping, da qual ela saiu insistindo que a UE está disposta a "melhorar a cooperação bilateral e construir uma relação mais equilibrada e estável".
Juntamente com o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, a conservadora alemã descreveu a reunião com o líder chinês como "franca e aberta", com questões comerciais e geopolíticas no centro das preocupações da Europa.
Nesse sentido, ela defendeu uma abordagem "construtiva e pragmática" para lidar com as discrepâncias que dificultam as relações com Pequim. "É importante ouvirmos uns aos outros, porque essa é a maneira de dissipar preconceitos", disse.
Em particular, o chefe do executivo europeu apontou para uma série de entendimentos com o líder chinês para garantir que a concorrência comercial seja "justa". "Há áreas em que o progresso é possível e viável", disse ela. Ela destacou que a China e a UE concordaram em trabalhar em "soluções concretas" para a questão das licitações públicas, às quais a China impede o acesso das empresas europeias, enquanto Bruxelas aprovou um veto às licitações públicas para dispositivos médicos.
Com relação ao excedente da produção chinesa, que depois inunda os mercados globais devido à falta de demanda interna, Von der Leyen garantiu que os líderes do gigante asiático começaram a lidar com esse problema, ao qual se referem como "involução", e expressaram "sua disposição de apoiar mais consumo e menos produção".
"Isso é importante. Precisamos ver progresso nessa questão, porque sem isso seria muito difícil para a UE manter seu nível atual de abertura", disse ele sobre uma das reclamações mais recorrentes dos líderes europeus em suas relações comerciais com Pequim.
Quanto ao acesso a matérias-primas estratégicas na China, após algumas restrições às exportações, a UE e a China concordaram em criar um mecanismo de controle para resolver possíveis gargalos ou problemas na cadeia de suprimentos. Em essência, Bruxelas busca apoiar suas empresas de inovação e evitar cortes abruptos nesses suprimentos essenciais para a transição digital.
"A cúpula mostrou que podemos encontrar soluções práticas, que haverá mais transparência em termos de velocidade para permitir o licenciamento de exportação", disse o presidente da Comissão sobre esse canal que permitirá que as empresas relatem problemas na entrega de matérias-primas essenciais a Bruxelas.
Do lado chinês, o Ministério das Relações Exteriores afirmou em um comunicado que Xi Jinping disse a Von der Leyen e Costa que a redução da dependência não pode ser alcançada por meio da redução da cooperação com a China, e que os desafios que a Europa enfrenta não vêm de Pequim.
De acordo com o presidente chinês, não há "conflitos de interesse fundamentais" entre a China e a Europa. "O tom fundamental da cooperação, que tem precedência sobre a competição, e o consenso sobre as diferenças, permaneceu inalterado", disse ele, pedindo um "gerenciamento adequado das diferenças e atritos".
O PAPEL DA CHINA NA GUERRA DA UCRÂNIA MOLDARÁ AS RELAÇÕES
Sobre a outra grande questão que complica as relações com Pequim, questões geoestratégicas como o apoio chinês à Rússia no contexto da guerra na Ucrânia, o presidente do Conselho Europeu explicou que pediu a Xi para "prestar atenção" às exportações para a Rússia de material civil e militar que Moscou usa em sua agressão contra o país vizinho.
Bruxelas calcula que o gigante asiático fornece aproximadamente 80% desse tipo de mercadoria para a Rússia, portanto, embora a China não esteja diretamente envolvida na guerra, ela alimenta a máquina de guerra do Kremlin.
Com a China afirmando ser neutra no conflito, mas cooperando e se inclinando para a Rússia, os líderes europeus insistiram que esperam que Pequim exerça sua "responsabilidade especial" para fazer com que a Rússia pare a guerra e aceite um cessar-fogo na Ucrânia que leve a negociações "justas", já que tanto a UE quanto a China estão pedindo uma "paz justa e duradoura o mais rápido possível".
"Temos sido muito claros quanto a isso", acrescentou Von der Leyen, indicando que, assim como a UE usa sua influência sobre a Ucrânia, a China deve fazer o mesmo com a Rússia para "garantir que ela venha para a mesa de negociações com seriedade".
De qualquer forma, o político alemão insistiu mais uma vez na mensagem de que o curso do conflito na Ucrânia é crucial para o futuro dos laços com Pequim, garantindo que a forma como a China age com relação à agressão russa "será um fator determinante" nas relações.
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