FRANCOIS LENOIR/EU Council/dpa
BRUXELAS 17 mar. (EUROPA PRESS) -
A União Europeia endossou nesta segunda-feira a resposta das autoridades de transição da Síria à violência sectária no oeste do país e disse que continuará a suspender gradualmente as sanções contra Damasco.
"O que vemos é que a liderança síria está prestando contas ou responsabilizando aqueles que perpetraram esses massacres, e isso mostra que devemos continuar com o levantamento das sanções", disse a Alta Representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, em sua chegada à reunião dos ministros das Relações Exteriores do bloco.
Nesse sentido, ela pediu o restabelecimento dos serviços bancários no país, uma questão que estará em pauta nas próximas medidas a serem suspensas pela UE.
A ex-primeira-ministra da Estônia argumentou que "se há esperança para a população, também há menos caos", razão pela qual ela pediu para manter o curso e continuar com o processo de suspensão gradual e reversível das medidas, apesar da violência sectária desencadeada no país após uma série de ataques de grupos leais ao ex-presidente Bashar al-Assad.
As autoridades de transição da Síria lançaram uma operação em larga escala nas regiões costeiras que matou cerca de 1.400 civis, "a maioria deles alauítas", de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos.
Ao chegar à reunião, vários ministros expressaram seu apoio à transição na Síria, garantindo que isso se materializará em compromissos financeiros na conferência de doadores de segunda-feira em Bruxelas.
No caso da Espanha, o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, anunciou uma alocação de "quase 10 milhões de euros em ajuda humanitária", embora tenha insistido que "toda a violência deve cessar dentro da Síria e, ao mesmo tempo, os direitos de todas as minorias étnicas, religiosas e femininas devem ser respeitados".
Do lado alemão, Annalena Baerbock confirmou 300 milhões de euros em apoio à situação humanitária na Síria e para dar um impulso à transição na Síria, após alguns meses de "luz e sombra".
"Como europeus, estamos ao lado do povo sírio, de uma Síria livre e pacífica. Mas também continuaremos a deixar claro o que sempre enfatizamos nos últimos três meses", disse ele, pedindo ao presidente interino Ahmed al Shara que aja "de forma responsável e inclusiva" para todo o povo da Síria.
CONFERÊNCIA DA SÍRIA
Nesta segunda-feira, a UE está organizando sua conferência anual sobre a ajuda à Síria, um evento que é marcado, nesta sua nona edição, pela reviravolta dos acontecimentos no país após a queda de Al Assad e o estabelecimento de autoridades de transição lideradas pelo grupo jihadista Hayat Tahrir al Sham (HTS). De fato, esta será a primeira ocasião em que as autoridades sírias estarão presentes, com a presença do ministro das relações exteriores, Asaad al Shaibani.
Com essa iniciativa, a UE está buscando apoio internacional para uma transição inclusiva e pacífica na Síria e, apesar da preocupação gerada pela violência da última semana no oeste do país, a Conferência de Diálogo Nacional, as conversas com a minoria drusa e o acordo alcançado por Damasco com as forças curdas no norte e no leste do país estão sendo destacados.
A conferência também se concentra em garantir fundos para a reconstrução e a recuperação econômica do país, dois aspectos que são "cruciais para a transição", de acordo com a capital da UE. Ao mesmo tempo, a conferência deve ser um momento para promover a coordenação entre os parceiros internacionais e as entidades da ONU. "Temos que garantir que tudo o que fizermos realmente contribua para o mesmo objetivo junto com as autoridades sírias", disse um alto funcionário da UE antes da conferência.
Ainda não se sabe se a nova situação na Síria se traduzirá em novos compromissos financeiros da UE e dos estados-membros para a transição, uma vez que o bloco já prometeu 2,12 bilhões de euros para este ano na conferência do ano passado. A iniciativa já arrecadou cerca de 6 bilhões de euros por ano em apoio aos agentes humanitários na Síria.
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