Publicado 13/07/2026 08:03

A UE debate, dividida, sanções contra os assentamentos na Cisjordânia, diante da resistência da Alemanha e dos países bálticos

A Espanha e a Irlanda defendem um veto total, enquanto a Alemanha, a Itália e os países bálticos exigem unanimidade

Os ministros das Relações Exteriores da UE, reunidos no Conselho de Relações Exteriores (CRE) que está sendo realizado nesta segunda-feira em Bruxelas
FRANCOIS LENOIR

BRUXELAS, 13 jul. (EUROPA PRESS) -

Os ministros das Relações Exteriores da UE constataram nesta segunda-feira suas divergências em relação ao documento de opções apresentado pela Comissão para vetar ou limitar o comércio com os assentamentos israelenses na Cisjordânia, com um bloco liderado pela Espanha e pela Irlanda pressionando pela imposição de um embargo total, e outro liderado pela Alemanha que defende priorizar a diplomacia com Israel.

A divisão também ficou evidente no Conselho de Relações Exteriores (CRE), realizado nesta segunda-feira em Bruxelas, sobre a forma como se deveria votar qualquer medida contra os assentamentos: a Alemanha e os países bálticos pedem que seja necessária unanimidade; outros, como a Áustria e a Bulgária, exigem mais clareza da Comissão quanto às suas opções, enquanto a Espanha acredita que a decisão deve ser tomada por maioria qualificada.

Tudo isso no dia em que os ministros debatem as três opções apresentadas pela Comissão, entre as quais se destacam a criação de um sistema de licenças de exportação para esses bens, a imposição de tarifas punitivas ou proibitivas e, como opção mais drástica, uma proibição parcial ou total das importações de produtos provenientes dos assentamentos na Cisjordânia.

A “TÁTICA PROTRATÓRIA” DE BRUXELAS

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, defendeu essa última opção contra os assentamentos israelenses e chegou a criticar a “tática dilatória” de altos funcionários da União para adiar, com “debates e mais debates”, uma votação para definir o veto comercial.

O chefe da diplomacia espanhola defendeu que “não há espaço para opções” e que a proibição de importar esses produtos deveria ser imediata, em conformidade com o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça (CIJ).

A Irlanda se manifestou na mesma linha; sua ministra das Relações Exteriores, Helen McEntee, descartou categoricamente as opções de estabelecer tarifas ou licenças de exportação, ao entender que isso “legitimaria” o comércio com territórios ocupados.

Ela também se baseou nos serviços jurídicos do Conselho para defender que, por se tratar de uma questão puramente comercial, a medida “pode e deve ser aprovada” por maioria qualificada, contornando o veto dos países relutantes no caso de as sanções serem uma questão de política externa, pois, nesse caso, seria necessária unanimidade para que fossem aprovadas.

O ministro das Relações Exteriores do Luxemburgo, Xavier Bettel, considerou “vergonhoso” que a União continue incapaz de tomar decisões, apesar da deriva do governo de Netanyahu, e alertou que o bloco não deve “esperar que as eleições (em Israel) tenham passado”; ao mesmo tempo em que lamentou que, para alguns membros do Colégio de Comissários do Executivo de Ursula von der Leyen, “eles prefeririam que nem sequer falássemos sobre isso hoje”.

“Não é por falta de pedidos. Insistimos, insistimos e insistimos”, reclamou Bettel à imprensa ao chegar à reunião em Bruxelas, em referência às possíveis opções que Kallas colocou em discussão nesta segunda-feira, para depois admitir que teme que os 27 encontrem “um novo motivo para não votar” nesta ocasião, apesar de, como ele ressaltou, embora a imposição de sanções exija unanimidade, para agir sobre as relações comerciais basta a maioria qualificada.

A essa linha de pensamento juntou-se o representante da Bélgica, Maxime Prévot, que instou a verificar se o documento de opções consegue angariar um “apoio mais forte” que faça os parceiros mais relutantes mudarem de opinião, alertando que existe um consenso total de que a situação na Cisjordânia é “inaceitável”.

Por sua vez, o ministro da Holanda, Tom Berendsen, mostrou-se a favor da maioria qualificada e lembrou que já aplica, em nível nacional, uma medida de bloqueio aos produtos provenientes dos assentamentos ilegais; por isso, considerou “conveniente” que a União Europeia adote uma regulamentação própria semelhante.

ALEMANHA, ITÁLIA E OS PAÍSES BÁLTICOS EXIGEM UNANIMIDADE

No extremo oposto, a Alemanha lidera o grupo relutante em relação às sanções comerciais contra os assentamentos. Seu ministro das Relações Exteriores, Johann Wadephul, insistiu que qualquer passo nessa direção exige estritamente a unanimidade dos Vinte e Sete.

Ele também defendeu que os esforços se concentrem em tornar o diálogo com Israel eficaz, distanciando-se de um cenário de escalada comercial e exigindo que o governo israelense aja com firmeza contra os colonos violentos.

Por sua vez, o primeiro-ministro da Itália, Antonio Tajani, alinhou-se às teses da prudência ao defender que o debate sobre as opções não se trata de uma “decisão comercial”, mas de uma “escolha política”, por isso insistiu que qualquer resolução deve ser adotada estritamente por unanimidade dos Vinte e Sete.

No entanto, ele ressaltou que seu governo não mantém uma postura “prejudicialmente contrária” à análise de sanções contra as importações provenientes dos assentamentos na Cisjordânia, embora tenha minimizado a urgência das medidas, alegando a necessidade de realizar uma “avaliação aprofundada”.

A essa resistência somaram-se as delegações bálticas. Da Letônia, Artjoms Ursulskis mostrou-se a favor de exigir unanimidade e defendeu sanções “mais modestas” no futuro. “No momento, não estamos preparados para aceitar a proposta”, acrescentou.

Na mesma linha, o lituano Kestutis Budrys, apesar de ter lamentado a situação na Cisjordânia, insistiu que a prioridade absoluta da União em assuntos tão delicados deve ser salvaguardar a unanimidade e a coesão interna entre os Estados-membros.

PEDIDO DE MAIS CONCREÇÃO À COMISSÃO

Por sua vez, a ministra austríaca, Beate Meinl-Reisinger, exigiu da Comissão Europeia um “documento jurídico sólido” que certifique se a base jurídica é comercial ou de política externa, rejeitando que a escolha da forma de votação seja uma “competência para expressar desejos”.

Da mesma forma, a ministra da Bulgária, Velislava Petrova, comemorou a existência de propostas firmes após “muitas discussões hipotéticas no passado”, mas solicitou “orientação” ao Executivo comunitário para esclarecer o quadro de votação e garantir que os colonos israelenses não sejam alvo de sanções.

Por sua vez, a ministra das Relações Exteriores da Romênia, Oana Oiu, evitou avaliar o documento de opções e limitou sua posição a um apoio genérico e incondicional às decisões que forem adotadas pelos tribunais internacionais.

O debate se insere no contexto das opções apresentadas pela Comissão, que têm sido alvo de críticas por parte de alguns Estados-membros, os quais consideram que apresentar uma lista de opções, em vez de uma proposta com um marco jurídico definitivo, atrasa a adoção final de sanções contra os assentamentos ilegais na Cisjordânia.

A COMISSÃO DEFENDE SEU TRABALHO

A comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, defendeu a ação do Executivo comunitário, alegando que “a Comissão está fazendo seu trabalho” e que está cumprindo a tarefa que os líderes da União lhe confiaram na última cúpula, em junho.

“Temos uma proposta com opções. As opções serão discutidas, e quero ouvir posições claras por parte dos Estados-membros. Isso é importante. São eles os primeiros que precisam definir qual é a sua posição e sua opção, não a Comissão”, afirmou.

Assim que decidirem, explicou Suica, o Executivo desenvolverá a opção escolhida para apresentar uma proposta definitiva com base jurídica, embora isso já seja visando o Conselho de Assuntos Gerais (CAE) do próximo mês de outubro, próximo às eleições em Israel.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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