BRUXELAS, 10 jun. (EUROPA PRESS) -
A União Europeia e a Coreia do Sul assinaram nesta quarta-feira um acordo de comércio digital e reforçaram sua parceria estratégica em novas áreas de cooperação, como segurança e defesa, energia limpa e Inteligência Artificial, num momento em que ambas as partes destacaram que as parcerias estáveis e de confiança “são mais valiosas do que nunca” diante da incerteza global.
Durante a realização da 11ª Cúpula entre a União Europeia e a Coreia do Sul, que ocorreu em Bruxelas, os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, Ursula von der Leyen e António Costa, reuniram-se com o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, com quem assinaram um pacote de acordos que reforça a parceria estratégica bilateral.
O primeiro deles trata do comércio digital, que facilitará os fluxos transfronteiriços de dados, reconhecerá a validade jurídica dos contratos eletrônicos e proibirá a transferência obrigatória de código-fonte, com o objetivo de abrir novas oportunidades para empresas e consumidores de ambas as partes.
Ao mesmo tempo, Bruxelas e Seul manterão seus “respectivos altos níveis de proteção de dados pessoais e privacidade”, bem como a “margem regulatória para a consecução de objetivos políticos legítimos”.
Em matéria de segurança e defesa, ambas as partes se comprometeram a ampliar sua Parceria de Segurança e Defesa — assinada em 2024 —, reforçando a cooperação contra ameaças cibernéticas, ameaças híbridas e a manipulação de informações estrangeiras, e concordaram em iniciar os trabalhos para um Acordo de Segurança da Informação que facilite o intercâmbio de informações confidenciais.
Também lançaram um Diálogo de Alto Nível sobre Energia para coordenar esforços em segurança energética, resiliência econômica e transição para energias limpas.
Tanto a UE quanto a Coreia do Sul reafirmaram, além disso, seu apoio à Ucrânia diante da invasão da Rússia e condenaram “a cooperação militar ilegal” entre Moscou e Pyongyang, ao mesmo tempo em que expressaram sua “grave preocupação” com os programas nucleares e de mísseis balísticos da Coreia do Norte e exigiram a desnuclearização completa da Península da Coreia.
UE E COREIA, PARCEIROS PERANTE “UM MUNDO INCERTO”
Em uma coletiva de imprensa em Bruxelas, Von der Leyen destacou que a segurança europeia e a coreana “estão mais interligadas do que nunca”, citando como exemplo que soldados norte-coreanos combatem ao lado de tropas russas na Ucrânia, e agradeceu a Seul pelo seu “apoio vital” a Kiev desde o primeiro dia da invasão.
A chefe do Executivo comunitário enquadrou o conjunto de acordos assinados na necessidade de construir parcerias sólidas com parceiros de confiança diante de um mundo “incerto”, e afirmou estar “profundamente convencida de que o melhor está por vir” na relação entre a UE e a Coreia do Sul, dado que “no mundo incerto de hoje, parcerias estáveis e de confiança como a nossa são mais valiosas do que nunca”.
Por sua vez, Costa lembrou que o Acordo de Livre Comércio em vigor desde 2011 mais do que duplicou o comércio bilateral e gerou um “crescimento substancial” dos fluxos de investimento, apresentando o novo acordo de comércio digital como um “marco” que conectará ainda mais as economias digitais de ambas as partes.
O presidente do Conselho Europeu destacou que a UE e a Coreia do Sul são parceiros “com ideias afins” que compartilham a convicção de que a cooperação internacional e a ordem baseada em normas são “a melhor forma de reforçar a segurança e a prosperidade comuns”.
Em sua intervenção, o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, destacou que a UE é o terceiro parceiro comercial da Coreia do Sul e seu principal parceiro de investimento, e expressou sua confiança de que o novo acordo de comércio digital contribuirá para criar “um ambiente empresarial mais estável” para as trocas digitais entre ambas as partes.
Lee solicitou também o apoio contínuo da UE para resolver a questão nuclear norte-coreana e avançar rumo a uma “paz duradoura” na Península da Coreia, e reafirmou o compromisso de Seul com a reconstrução da Ucrânia, no que qualificou como uma reunião “especialmente significativa” em um momento de mudanças no cenário internacional.
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