Publicado 11/02/2026 06:24

A UE considera ilegal a anexação da Cisjordânia por parte de Israel e alerta que isso coloca em risco o acordo de paz.

5 de fevereiro de 2026, Finlândia, Helsínquia: A Alta Representante da UE e Vice-Presidente para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, chega ao Parlamento da Finlândia. Foto: Heikki Saukkomaa/Lehtikuva/dpa
Heikki Saukkomaa/Lehtikuva/dpa

BRUXELAS 11 fev. (EUROPA PRESS) - A União Europeia (UE) classificou como ilegais e “contraproducentes” as novas medidas tomadas pelo gabinete de segurança de Israel com uma reforma da administração da Cisjordânia que amplia as competências para autorizar a construção de novos assentamentos, confiscar terras ou assumir o funcionamento e a manutenção de locais religiosos.

Em um comunicado, o Serviço de Ação Externa da UE apelou a “todas as partes” para que se abstenham de tomar “medidas unilaterais” que aumentem as tensões e “prejudicam as possibilidades de uma solução negociada” num momento em que estão sendo realizados “esforços internacionais coordenados” para garantir a paz e a estabilidade no Oriente Médio.

“As novas medidas aprovadas pelo gabinete de segurança de Israel para a Cisjordânia são contraproducentes e incompatíveis com o Direito Internacional. Elas geram o risco de minar os esforços internacionais em curso voltados para a estabilização e o avanço dos esforços pacíficos na região”, argumentou a UE.

O documento, assinado pela Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas; pela comissária para a Democracia, Dubravka Suica; e pela comissária para a Gestão de Crises, Hadja Lahbib; lembra que a UE “mantém há muito tempo” uma posição de não reconhecimento da soberania de Israel sobre os territórios ocupados desde junho de 1967, “em consonância com as resoluções pertinentes do Conselho de Segurança da ONU”.

Além disso, sustentou que as decisões que afetam a aplicação do Protocolo de Hebron entre Israel e a Autoridade Palestina, como assumir o funcionamento de espaços dedicados ao culto, “colocam em risco o delicado status quo dos locais religiosos”.

“A UE reitera seu compromisso inabalável com uma paz duradoura e sustentável, em conformidade com as resoluções pertinentes do Conselho de Segurança da ONU, com base na solução de dois Estados, com o Estado de Israel e um Estado da Palestina independente, democrático, contíguo, soberano e viável, vivendo um ao lado do outro em paz, segurança e reconhecimento mútuo”, conclui o comunicado.

UMA MEDIDA TAMBÉM CRITICADA PELOS EUA

No domingo passado, o gabinete de segurança israelense aprovou uma reforma da administração da Cisjordânia com medidas como a assunção de competências sobre o território ou licenças de construção na histórica cidade de Hebron pelas autoridades israelenses, modificando uma situação estabelecida em 1997 que previa que qualquer nova construção deveria ser aprovada tanto pelas instituições palestinas quanto pelas israelenses.

O plano também inclui a publicação dos registros de terras da Cisjordânia para que qualquer pessoa possa localizar os proprietários de um terreno e fazer uma oferta de compra. Até agora, essa informação era confidencial. Além disso, revoga uma norma que proíbe pessoas não muçulmanas de comprar terras na zona, que data do período em que a Jordânia controlava a Cisjordânia, e cria uma “autoridade municipal específica” para gerir o Túmulo de Raquel, em Belém, encarregada da limpeza e manutenção do local.

A medida, duramente criticada pela Autoridade Palestina e pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), levou nesta segunda-feira oito países — entre eles Arábia Saudita, Jordânia, Egito e Catar — a emitir um comunicado conjunto classificando essa medida como “ilegal” e lembrando que “Israel não tem soberania nos Territórios Palestinos Ocupados”, pelo que a decisão constitui “uma violação flagrante do Direito Internacional” que “compromete a solução de dois Estados”. Já nesta terça-feira, os Estados Unidos reiteraram a rejeição à anexação do inquilino da Casa Branca, Donald Trump, alegando que “uma Cisjordânia estável mantém Israel seguro e está em consonância com o objetivo da Administração de alcançar a paz na região”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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