Publicado 17/03/2026 14:57

A UE considera o ataque do Paquistão a um hospital em Cabul, que deixou mais de 400 mortos, uma “escalada mortal”

16 de março de 2026: Kaja Kallas, Alta Representante para os Assuntos Externos e a Política de Segurança e vice-presidente da Comissão Europeia, chega para uma reunião do Conselho de Relações Externas da União Europeia no edifício Europa, em Bruxelas, Bél
Wiktor Dabkowski / Zuma Press / ContactoPhoto

BRUXELAS 17 mar. (EUROPA PRESS) -

A União Europeia classificou como uma “escalada mortal” o ataque ocorrido nesta segunda-feira a um hospital na capital do Afeganistão, Cabul, depois que o Talibã denunciou um bombardeio por parte do Paquistão que deixou mais de 400 mortos e 250 feridos, e pediu que o conflito entre os dois países termine “o mais rápido possível”.

Em uma declaração conjunta da Alta Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas, e da comissária europeia para a Gestão de Crises, Hadja Lahbib, as líderes instaram ambas as partes a “exercerem a máxima contenção” e a adotarem “todas as medidas possíveis para minimizar o risco de causar danos à população civil”.

“As instalações civis e médicas nunca devem ser alvo de ataques, uma vez que estão protegidas pelo Direito Humanitário, incluindo as Convenções de Genebra. Todas as partes envolvidas em operações militares têm a obrigação de respeitar essas disposições em todos os momentos”, afirma o comunicado.

O Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE) esclareceu que a União Europeia se une “aos apelos da comunidade internacional por um cessar-fogo imediato” e pela retomada do diálogo entre o Paquistão e as autoridades de fato do Afeganistão.

O governo do Afeganistão confirmou que pelo menos 400 pessoas morreram e outras 250 ficaram feridas nesta segunda-feira devido ao bombardeio perpetrado pelo Exército paquistanês contra o Hospital de Tratamento de Dependências Omid, em Cabul.

O ataque aéreo ocorreu por volta das 21h (por volta das 17h30 na Espanha) contra o referido centro destinado ao atendimento de pessoas com dependência química, que possui capacidade para cerca de 2.000 leitos, conforme precisou o porta-voz adjunto do governo instaurado pelos talibãs, Hamdulá Fitrat, em uma mensagem publicada em suas redes sociais.

Por sua vez, as autoridades do Paquistão negaram que o ataque tenha atingido um hospital em Cabul, insistindo que sua ofensiva realizou “bombardeios de precisão” contra instalações militares em Cabul e Nangarhar. “A infraestrutura de apoio técnico e as instalações de armazenamento de munições em dois locais de Cabul ficaram praticamente destruídas. As detonações secundárias visíveis após os ataques indicam claramente a presença de grandes depósitos de munições”, afirmou o ministro da Informação, Ataulá Tarar.

Vale lembrar que a zona de fronteira entre os dois países tem sido, há anos, palco de tensões e insegurança, especialmente devido aos ataques do grupo Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP), e em meio às acusações de Islamabad contra a Índia e os talibãs afegãos por seu suposto apoio à organização, algo que Nova Délhi e Cabul negaram.

Essa conjuntura fez com que, no final de fevereiro passado, o conflito se intensificasse novamente, após uma série de bombardeios por parte de Islamabad contra supostos alvos do grupo TTP, conhecido como talibãs paquistaneses, e do Estado Islâmico no país vizinho, o que levou as autoridades instaladas pelos talibãs a lançarem ofensivas na fronteira.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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