Europa Press/Contacto/JAMES ARTHUR GEKIERE
Lembra a Israel sua obrigação, nos termos da CIJ, de “cooperar” com a ONU para “garantir o respeito ao direito do povo palestino à autodeterminação”. BRUXELAS 21 jan. (EUROPA PRESS) -
A Comissão Europeia condenou nesta terça-feira as ações de Israel para demolir o complexo da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) no bairro de Sheij Yarrá, em Jerusalém Oriental, lembrando ao Executivo de Benjamin Netanyahu sua obrigação de “cooperar de boa fé com a ONU para garantir o respeito ao direito do povo palestino à autodeterminação”.
“Condeno a decisão israelense de entrar à força e demolir o complexo das Nações Unidas em Sheij Yarrá, ocupado pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Oriente Próximo, localizado em Jerusalém Oriental”, afirmou a comissária de Preparação e Gestão de Crises e Igualdade, Hadja Lahbib, em um comunicado no qual instou as autoridades deste país a porem fim a “esta ação, que viola as obrigações de Israel decorrentes da Convenção sobre Prerrogativas e Imunidades das Nações Unidas, segundo a qual os Estados-membros devem proteger e respeitar a inviolabilidade de suas instalações”.
A líder lembrou ainda, na mesma nota, o parecer consultivo do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) emitido no final de outubro do ano passado, que estipula que “Israel tem a obrigação de não obstruir o funcionamento das entidades das Nações Unidas e de cooperar de boa fé com elas para garantir o respeito ao direito do povo palestino à autodeterminação”.
Lahbib manifestou o “firme” apoio das instituições comunitárias à ONU “e à ordem internacional multilateral e baseada em normas, da qual a UNRWA faz parte” e, nesse sentido, assegurou que está “comprometida em manter seu apoio político e financeiro” a esta Agência.
“As agências das Nações Unidas respeitam e aplicam tanto a letra como o espírito da Carta das Nações Unidas e desempenham um papel crucial na manutenção da segurança mundial. O funcionamento da UNRWA contribui para manter condições propícias à paz e à segurança, e qualquer interrupção do seu trabalho tem importantes repercussões humanitárias, políticas e socioeconómicas”, defendeu.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, também condenou “energicamente” a demolição das instalações da UNRWA por Israel, enquanto o diretor da Agência para a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, Roland Friedrich, denunciou “ações sem precedentes”, depois que as forças de segurança israelenses armadas chegaram ao complexo, acompanhadas por vários altos funcionários, antes que várias escavadeiras entrassem à força no complexo e começassem a demolir os edifícios.
“Essas cenas deploráveis (...) são o culminar da crescente hostilidade e dos ataques contra a UNRWA nos Territórios Palestinos Ocupados durante os últimos dois anos”, afirmou Friedrich sobre o que considerou “uma demonstração evidente do desprezo de Israel pelo Direito Internacional, que permaneceu imperturbável por muito tempo”.
Israel acusou em várias ocasiões a agência da ONU de apoiar o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e outros grupos palestinos, embora uma investigação independente liderada pela ex-ministra das Relações Exteriores francesa Catherine Colonna tenha concluído em abril de 2024 que, embora a organização tenha margem para melhorias em questões como neutralidade ou transparência, não havia provas para sustentar as acusações de Israel sobre ligações com o terrorismo.
Apesar disso, Israel manteve suas críticas e, de fato, as forças de segurança israelenses realizaram, em 8 de dezembro de 2025, uma operação na sede da UNRWA em Jerusalém Oriental, no âmbito de sua pressão sobre o organismo, que denunciou o “flagrante desrespeito” por parte de Israel ao Direito Internacional.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático