BRUXELAS, 13 jul. (EUROPA PRESS) -
Os 27 Estados-Membros condenaram nesta segunda-feira a decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) de suspender “provisoriamente” a suspensão do Comitê Olímpico Russo, permitindo que atletas da Rússia participem das Olimpíadas sob a bandeira russa, alegando que as recomendações de outras federações para vetá-los “já não são aplicáveis”.
Em uma coletiva de imprensa em Bruxelas, a Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, transmitiu a posição unânime dos ministros das Relações Exteriores da UE em sua reunião de hoje em Bruxelas, condenando a decisão do COI e lamentando que ela coincida com o número “recorde” de mortes de civis ucranianos.
“A decisão do COI de convidar novamente os atletas russos para as competições internacionais ignora a realidade. Os ministros condenam veementemente essa decisão, uma vez que ela coincide com o fato de que a Rússia está matando um número recorde de civis ucranianos”, afirmou a chefe da diplomacia europeia.
Depois de acusar o órgão olímpico de banalizar a invasão russa da Ucrânia, ela afirmou que, com essa decisão, parece que “está premiando esse tipo de ataque”, por isso rejeitaram a possibilidade de atletas russos participarem das eliminatórias para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
O COI suspendeu “provisoriamente”, no início de julho, a suspensão imposta aos atletas russos, em vigor desde 12 de outubro de 2023, após a “análise exaustiva realizada” pela Comissão de Assuntos Jurídicos do COI, ao considerar que o Comitê Russo “já não conta entre seus membros com nenhuma organização esportiva regional dos territórios que se encontram sob a jurisdição do Comitê Olímpico Ucraniano”.
Em um comunicado, o COI afirmou que sua posição em relação à invasão da Rússia contra a Ucrânia não mudou, “condenando-a veementemente”. “De maneira mais geral, o COI condena as guerras, os conflitos armados e a violência que causam sofrimento humano onde quer que ocorram”, mas a participação de um atleta em competições internacionais “não deve ser limitada pelo envolvimento de seu governo em uma guerra ou conflito”.
FIM DO FINANCIAMENTO À BIENAL DE VENEZA
Em outro assunto, Kallas afirmou que a Comissão Europeia encerrou o financiamento da Bienal de Veneza, alegando que “a cultura e o apoio não devem se tornar veículos para branquear a agressão”, já que a edição deste ano permitiu a participação da Rússia.
Neste fim de semana, a vice-presidente executiva da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen, instou a Agência Executiva Europeia para a Educação e a Cultura (AEEEC) a cancelar a subvenção de dois milhões de euros concedida à Bienal de Veneza após a recusa desta em vetar a participação da Rússia no evento de arte que organiza.
Bruxelas havia ameaçado, há semanas, retirar esses dois milhões de euros de financiamento caso a organização permitisse a participação da Rússia na 61ª edição da Exposição Internacional de Arte, inaugurada em 9 de maio, coincidindo com a comemoração do Dia da Europa.
A Bienal de Veneza anunciou em março a lista de países participantes de sua 61ª edição, entre os quais figurava a Rússia. Em um comunicado, a organização defendeu que se trata de “uma instituição aberta”, na qual qualquer país reconhecido pela República Italiana pode participar, e ressaltou que “rejeita qualquer forma de exclusão ou censura à cultura e à arte”.
A decisão provocou uma reação imediata de Bruxelas, já que Virkkunen e o comissário de Cultura, Glenn Micallef, classificaram a participação russa como “incompatível” com a resposta da UE à agressão da Rússia contra a Ucrânia e alertaram que estudariam medidas restritivas, incluindo a suspensão ou o cancelamento do subsídio comunitário de dois milhões de euros destinado à exposição.
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