Publicado 28/04/2026 14:13

A UE ameaça impor sanções a Israel por permitir o desembarque de um navio russo com grãos ucranianos roubados

ALEMANHA, BERLIM - 6 DE ABRIL DE 2026: Uma bandeira da União Europeia
Europa Press/Contacto/Asya Semichayevskaya

BRUXELAS 28 abr. (EUROPA PRESS) -

A União Europeia condenou o descarregamento de grãos ucranianos por um navio da “frota fantasma” da Rússia na cidade israelense de Haifa e alertou que, “se necessário”, aplicará sanções a “pessoas e entidades em países terceiros” para impedir o financiamento da invasão russa da Ucrânia.

Foi o que afirmou em declarações enviadas à Europa Press o porta-voz do Serviço de Ação Externa da UE, Anouar El Anouni, que detalhou que já houve contatos com o Ministério das Relações Exteriores de Israel para expressar seu desacordo com essa questão.

“Condenamos todas as ações que contribuam para financiar o esforço de guerra ilegal da Rússia e para contornar as sanções da UE, e continuamos dispostos a responder a tais ações incluindo em listas pessoas e entidades de países terceiros, se necessário”, advertiu o porta-voz comunitário.

El Anouni acrescentou que a UE “tomou nota” das informações que indicam que um navio da frota fantasma russa que transportava grãos ucranianos roubados foi autorizado a descarregar no porto de Haifa, em Israel, e que isso ocorreu “apesar dos contatos prévios da Ucrânia com as autoridades israelenses sobre este assunto”.

Dito isso, ele afirmou que o bloco comunitário “mantém-se firme” em seu apoio à Ucrânia e na “pressão sobre a Rússia” até que Moscou ponha fim “à sua guerra de agressão”, como ficou demonstrado na semana passada com a aprovação definitiva do empréstimo de 90 bilhões de euros para Kiev e o vigésimo pacote de sanções contra Moscou.

Apesar da ameaça a Israel, qualquer medida de política externa, como a imposição de sanções, requer a unanimidade dos 27 Estados-Membros, um marco difícil de alcançar quando se trata do governo de Benjamin Netanyahu, o que ficou evidente na semana passada, quando não se chegou a um acordo para a suspensão do Acordo de Associação bilateral, conforme proposto pela Espanha.

Também não se chegou a um acordo para a aplicação de medidas de caráter comercial, para as quais é necessária apenas uma maioria qualificada, já que houve países como a Alemanha ou a Itália que defenderam que era “inadequado” sancionar Israel porque isso implicaria punir também seus cidadãos.

CRISE DIPLOMÁTICA ISRAEL-UCRÂNIA

A reação da UE ocorre depois que o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia convocou, nesta terça-feira, o embaixador israelense em Kiev para entregar-lhe uma nota de protesto, após Kiev ter denunciado a “chegada contínua a Israel de produtos agrícolas exportados ilegalmente pela Rússia a partir dos territórios da Ucrânia temporariamente ocupados”.

De fato, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, elevou o tom nesta terça-feira diante da inércia de Israel, enfatizando que as autoridades israelenses “não podem ignorar quais navios chegam aos portos do país nem qual carga transportam”, e alertando que “em qualquer país normal, a compra de bens roubados acarreta responsabilidade legal”.

“As autoridades israelenses não podem ignorar quais navios chegam aos portos do país nem qual carga transportam”, afirmou em uma mensagem nas redes sociais, acrescentando que tomou “todas as medidas necessárias por meio de canais diplomáticos para prevenir esse tipo de incidente”, mas lamentando que esses navios continuem sem ser detidos.

Pouco antes, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andri Sibiga, criticou Israel, afirmando que “é difícil compreender a falta de uma resposta adequada por parte de Israel ao pedido legítimo da Ucrânia”.

Seu homólogo israelense, Gideon Saar, respondeu insistindo que Kiev “não apresentou provas que sustentem” as acusações contra os navios russos e “nem mesmo apresentou um pedido de assistência jurídica”, criticando o fato de Kiev ter recorrido à mídia e às redes sociais antes de tratar o assunto de forma bilateral.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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