Publicado 07/09/2026 07:55

A UE adverte que a glorificação de Mladic “não tem lugar” entre os países candidatos, como a Sérvia

O general bósnio-sérvio Ratko Mladic durante seu julgamento no Tribunal Penal para a Antiga Iugoslávia, em 22 de novembro de 2017
TPIY/FLICKR

BRUXELAS 7 set. (EUROPA PRESS) -

A União Europeia advertiu nesta segunda-feira que qualquer glorificação do ex-comandante sérvio-bósnio Ratko Mladic, conhecido como “o carniceiro da Bósnia” e condenado em 2017 por crimes de guerra e contra a humanidade, “não tem lugar” entre os países candidatos à adesão ao bloco, após a polêmica em torno de seu funeral em Belgrado, realizado com honras militares.

“Qualquer glorificação de criminosos de guerra, negação do genocídio e revisionismo contradizem os valores europeus mais fundamentais e não têm lugar na UE nem nos países candidatos à adesão à UE”, afirmou o Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE)em um comunicado em resposta ao funeral de Mladic, que ocorreu nesta segunda-feira na capital sérvia.

No comunicado, a União destacou que a reconciliação e as boas relações de vizinhança nos Balcãs Ocidentais “continuam sendo essenciais para construir um futuro compartilhado”, lembrando ainda que a UE “é parceira de todos os países” balcânicos para apoiar “seus esforços em promover a reconciliação e a estabilidade regional”.

Também destacou a necessidade de “encontrar e implementar soluções definitivas e inclusivas” para as disputas e questões regionais e bilaterais de seus parceiros nos Balcãs, “enraizadas no legado do passado, em conformidade com o Direito Internacional”.

A UE prosseguiu lembrando que Mladic foi um criminoso de guerra condenado por ter cometido crimes de guerra, genocídio e crimes contra a humanidade. “Ele morreu enquanto cumpria prisão perpétua por crimes contra a humanidade e pelo genocídio de Srebrenica. O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia o condenou à prisão perpétua em 2017, descrevendo seus crimes como alguns dos mais atrozes já conhecidos pela humanidade”, afirmou.

Além disso, ela sustentou que os conflitos armados nos Balcãs Ocidentais na década de 1990 foram “um dos momentos mais sombrios da história recente da Europa”, por isso reafirmou sua solidariedade “com todas as vítimas, sobreviventes e suas famílias” que sofreram crimes de guerra nos países da antiga Iugoslávia.

Questionada durante uma coletiva de imprensa em Bruxelas sobre se a Comissão Europeia adotará algum tipo de medida contra a Sérvia, a porta-voz-chefe do Executivo comunitário, Paula Pinho, limitou-se a dizer que a posição da UE “é muito clara” e que “ver-se-á” se tomarão algum tipo de “decisão”.

“Não há lugar para a glorificação de criminosos de guerra. Nem para aqueles que negaram o genocídio, nem para aqueles que contradizem os valores europeus mais fundamentais”, concluiu.

BRUXELAS CANCELA VISITA DE COMISSÁRIA À SÉRVIA

Na sexta-feira, a comissária europeia para o Alargamento, a eslovena Marta Kos, cancelou uma visita prevista à Sérvia devido à decisão do país de enterrar com honras de Estado o ex-comandante sérvio-bósnio Ratko Mladic, argumentando que “a glorificação em torno de sua morte é incompatível com os valores sobre os quais se constrói o caminho da UE”.

A comissária anunciou que não realizará “neste momento” sua visita planejada à Sérvia, uma vez que as autoridades do país realizaram um funeral de Estado para o ex-comandante, falecido em 27 de agosto enquanto cumpria pena em uma prisão em Haia.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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