SIERAKOWSKI FREDERIC // EUROPEAN COUNCIL
BRUXELAS 15 jul. (EUROPA PRESS) -
Os ministros das Relações Exteriores da UE-27 esfriaram sua tomada de decisão na terça-feira para responder às violações de direitos humanos de Israel em sua ofensiva na Faixa de Gaza, concentrando-se mais em melhorar o acesso humanitário no enclave palestino no âmbito do acordo humanitário alcançado na semana passada pela UE e pelas autoridades israelenses.
Em sua chegada à reunião dos ministros das Relações Exteriores em Bruxelas, a Alta Representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, saudou o compromisso alcançado para melhorar a situação humanitária em Gaza, mas disse que agora resta saber se isso será implementado e se Israel tomará as medidas necessárias no local. "Não se trata do papel, mas sim da implementação do papel", enfatizou ela.
Embora tenha indicado que há sinais positivos, como a abertura de mais passagens de fronteira, a reconstrução de linhas de eletricidade, o fornecimento de água e a chegada de mais caminhões de ajuda humanitária, Kallas enfatizou que a UE "precisa ver mais" para realmente melhorar a situação "catastrófica" dos palestinos na Faixa.
A chefe da diplomacia europeia limitou-se a comentar que haverá uma discussão em nível ministerial sobre as opções apresentadas pelo Serviço de Ação Externa sobre o futuro das relações com Israel, mas evitou apontar uma medida retaliatória concreta contra Tel Aviv, insistindo que o objetivo final é melhorar a situação no local. "Da última vez que discutimos o assunto, o objetivo principal era melhorar a situação das pessoas no local. Esse era o principal objetivo", disse ele.
Falando antes da reunião, o Ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Nöel Barrot, disse que o acordo humanitário alcançado pela UE representa "concessões substanciais" por parte de Israel sobre o acesso humanitário. "É um primeiro passo, mas não é suficiente", disse ele.
Na opinião do chefe da diplomacia francesa, o acordo firmado com Tel Aviv demonstra que, "quando se tem os meios", a UE é "capaz de mover as linhas", e ele insistiu que o compromisso de Israel deve agora "ser visível e tangível no terreno" e que os Estados-Membros serão "extremamente vigilantes" quanto à aplicação do pacto.
"Meu foco está na situação local. Vejo que os 27 Estados membros, ao se manterem unidos também em maio e junho, conseguiram pelo menos que Kallas pudesse pressionar por um acordo com Israel sobre o acesso humanitário", disse o ministro das Relações Exteriores da Holanda, Caspar Veldkamp.
Essa opinião contrasta com a posição da Espanha, depois que o Ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, chegou à reunião exigindo que o Acordo de Associação com Israel fosse suspenso "pelo menos" enquanto a guerra em Gaza continuasse.
Albares argumentou que, no debate sobre possíveis represálias contra Israel, "a dignidade da Europa está em jogo". Ele disse que a Espanha não estava pedindo "nada extravagante ou extraordinário", mas que a UE deveria cumprir as regras que regem suas relações com países terceiros.
Seu colega dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, enfatizou que criticava Israel por suas ações em Gaza, "por mais bons amigos que sejamos e por mais simpatia que tenhamos por ele". "Por mais que queiramos enfatizar novamente o direito de autodefesa de Israel, ele deve ser proporcional. E o que estamos vendo acontecer em Gaza não é nada correto", disse ele.
Nesse sentido, ele pediu que a UE continuasse a pressionar pelo acesso humanitário desimpedido em Gaza. De qualquer forma, ele valorizou o trabalho da Alta Representante para aumentar a pressão sobre Israel e o fato de ela ter conseguido esse acordo para melhorar a situação humanitária na Faixa.
Do lado da República Tcheca, um dos estados-membros mais relutantes em tomar medidas contra Israel, o ministro Jan Lipavsky defendeu o "excelente trabalho" de Kallas na negociação de um acordo com Israel. "Esse é um bom resultado para a UE", disse ele, ao mesmo tempo em que defendeu a manutenção de um tom "construtivo" nas relações com Tel Aviv e a não adoção de medidas que "prejudiquem" o vínculo com a UE.
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