SIERAKOWSKI FREDERIC / EUROPEAN COUNCIL
BRUXELAS 15 jul. (EUROPA PRESS) -
Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia aplaudiram nesta terça-feira a convergência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o bloco europeu para aumentar a pressão contra a Rússia, ressaltando que o impulso gerado por Washington deve ser usado para fazer com que o presidente russo, Vladimir Putin, se sente para negociar o fim da guerra na Ucrânia.
Ao chegar à reunião de Bruxelas, o Ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, enfatizou que é importante aproveitar o impulso criado pela ameaça do Presidente dos Estados Unidos de impor tarifas "secundárias" de 100% à Rússia, caso ela não chegue a um acordo dentro de 50 dias. "Há muito tempo defendo uma abordagem mais transatlântica. Devemos exercer muito mais pressão sobre a economia russa", enfatizou.
Ele estava otimista de que o ultimato de Washington teria um efeito sobre a guerra na Ucrânia. "Chegou a hora de empurrar Putin para a mesa de negociações", enfatizou.
Do lado francês, o ministro das Relações Exteriores, Jean-Nöel Barrot, insistiu no "paralelismo" entre as sanções anunciadas pelos Estados Unidos e a nova rodada de medidas da UE. "É agora que devemos adotar esse pacote de sanções, porque é agora que o presidente dos Estados Unidos decidiu exercer uma pressão muito forte", disse ele.
Na mesma linha, seu colega da Holanda, Caspar Veldkamp, afirmou que Trump está se aproximando da visão europeia sobre o conflito na Ucrânia. "Estou muito feliz com o fato de haver convergência entre a Europa e os Estados Unidos sobre essa questão. Acho que os 50 dias anunciados por Trump são um tempo bastante longo, mas aprecio que eles realmente vejam que Putin está se arrastando e que temos que aumentar a pressão sobre a Rússia", enfatizou.
Enquanto isso, o ministro lituano das Relações Exteriores, Kestutis Budrys, saudou a liderança demonstrada pelos EUA ao pressionar mais a Rússia, observando que a UE agora precisa intensificar e adotar sua rodada de sanções contra os setores de energia, bancos e frota fantasma da Rússia.
"Temos a oportunidade em nossas mãos de tomar a iniciativa, então essa é a prova de que essas sanções que estão sendo preparadas nos Estados Unidos e, especialmente, com efeitos colaterais, é algo que Putin ouve", disse o ministro báltico sobre a nova fase que está se abrindo na crise na Ucrânia, com as ameaças de Trump contra o Kremlin se ele não negociar um cessar-fogo.
COMPRA DE ARMAS DOS EUA PARA ENVIAR À UCRÂNIA
Com relação à iniciativa lançada por Trump e confirmada pela OTAN para que Washington mantenha o apoio militar à Ucrânia por meio da venda de equipamentos militares a um grupo de aliados europeus, para que eles possam então administrá-los a Kiev, vários ministros indicaram que estão considerando participar desse plano, como no caso da Dinamarca e da Holanda.
De acordo com Rasmussen, a iniciativa de Trump "anda de mãos dadas" com o "modelo dinamarquês", pelo qual Copenhague compra diretamente da indústria de defesa ucraniana. "Essa é apenas uma versão alternativa disso. Estamos dispostos a participar. É claro que não podemos fazer isso sozinhos e precisamos de outros parceiros. Mas estamos prontos", argumentou.
Veldkamp, por sua vez, disse que a Holanda está analisando "com uma inclinação positiva" como participar do plano proposto pelos EUA e pela OTAN. "Estudaremos o que podemos fazer também em relação ao anúncio de Trump e partiremos daí", disse ele, lembrando que o país fornece drones, componentes e contribuiu com caças F-16 para o exército ucraniano.
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