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MADRID 23 jul. (EUROPA PRESS) -
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky justificou na quarta-feira a recente lei aprovada pelo parlamento que limita a autonomia das duas principais agências anticorrupção independentes por causa da suposta interferência russa dentro delas. "Elas devem ser limpas da influência de Moscou", disse ele.
"A infraestrutura anticorrupção funcionará, mas sem a influência russa. Ela precisa ser limpa disso. E deve haver mais justiça", disse Zelensky em um discurso à nação depois de falar com os chefes do Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) e da Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAPO).
Zelenski assegurou que ambos os escritórios continuarão a funcionar, embora a lei aprovada na terça-feira pela Verkhovna Rada estabeleça que o procurador-geral poderá intervir em suas investigações, emitir novas instruções e encerrar casos, ao mesmo tempo em que limita as funções do chefe do SAPO.
A esse respeito, Zelenski destacou que é necessário que os crimes não fiquem impunes e que os casos que permanecem "latentes" sejam investigados, aludindo àqueles "funcionários que fugiram da Ucrânia" e há anos vivem "muito agradavelmente" no exterior e "sem consequências legais".
"Isso não é normal. Não há explicação racional para que processos criminais no valor de bilhões estejam 'pendurados' há anos. E não há explicação para o fato de os russos ainda conseguirem obter as informações de que precisam", reclamou o presidente ucraniano.
"É importante que a sociedade realmente veja que não há interferência russa e que a punição é inevitável", ressaltou Zelenski em sua primeira declaração pública sobre os acontecimentos que se aceleraram nesta semana, em meio a inúmeras buscas nesses escritórios, prisões e escândalos relacionados a vazamentos para a Rússia.
No entanto, Bruxelas também se mostrou preocupada com o fato de que essa manobra legislativa prejudique a capacidade dessas duas agências. O NABU tem a tarefa de investigar casos de corrupção estatal de alto nível independentemente do Gabinete do Procurador-Geral, com supervisão do SAPO.
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