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O presidente ucraniano pede garantias de segurança enquanto aguarda a adesão à OTAN
MADRID, 14 fev. (EUROPA PRESS) -
O presidente ucraniano Volodimir Zelenski acharia "muito estranho" se o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, estivesse inclinado a aceitar os termos da Rússia para acabar com o conflito na Ucrânia, em sua opinião sobre os recentes contatos entre Trump e o presidente russo Vladimir Putin.
"Eu acharia muito estranho se a posição dos Estados Unidos fosse reorientada em relação à Rússia", disse Zelenski durante uma coletiva de imprensa nos arredores da Conferência de Segurança de Munique, que começa nesta sexta-feira na cidade alemã e onde, ao contrário do anúncio de Trump ontem, ele não espera ter nenhum contato com autoridades russas durante o fórum.
De fato, o diretor do evento, Christoph Heusgen, negou na sexta-feira qualquer conhecimento da chegada de uma delegação do governo russo ao encontro. "Não sabemos nada sobre isso. Temos (a presença) de vários cidadãos russos, mas eles são políticos da oposição", disse Heusgen à televisão pública alemã ARD.
De qualquer forma, Zelenski indicou que qualquer reunião com a Rússia é baixa em sua lista de prioridades. "Para mim, a ordem da reunião seria primeiro os Estados Unidos, depois a Europa e, finalmente, a Rússia", disse ele.
O presidente ucraniano reconheceu a importância essencial dos Estados Unidos e espera discutir a situação atual com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, durante uma reunião entre os dois no final desta tarde. Zelenski espera que o vice-presidente ratifique o apoio dos EUA ao seu país como uma questão de princípio.
"Acredito que os Estados Unidos não estão em uma posição de mediação. Acho que os Estados Unidos estão no topo. E deveriam estar do nosso lado porque foi a Rússia que nos atacou. Nós estamos certos e eles estão errados. E não deve haver concessões de nenhum tipo aqui", disse Zelenski.
De qualquer forma, "será muito interessante ouvir o que Vance pensa sobre isso, porque não tive tempo de discutir tudo com Trump", acrescentou Zelenski. "Temos o maior respeito por toda a equipe do presidente, embora eu entenda que há decisões que só ele pode tomar. Mas está claro que essa reunião é necessária", concluiu.
O presidente ucraniano também quis esclarecer que sua próxima viagem à Arábia Saudita não tem nada a ver com o anúncio feito ontem por Trump sobre uma possível cúpula entre os Estados Unidos e a Rússia no reino árabe. "É verdade que tenho uma visita oficial pendente à Arábia Saudita, assim como tenho uma visita pendente aos Emirados e outra à Turquia. Mas na Arábia Saudita não vou me encontrar nem com americanos nem com russos", disse ele.
Por fim, Zelenski acrescentou que a perspectiva de adesão à OTAN era uma questão secundária, atrás das garantias essenciais de proteção à população. "Não quero deixar os ucranianos sem garantias de segurança. Não podemos entrar para a OTAN agora? Tudo bem, mas vamos multiplicar meu exército por dois, ou por 1,5. Eles querem que esperemos, nós esperaremos, mas não esperaremos sem garantias de segurança", disse ele.
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