Christophe Licoppe/European Comm / DPA
Ele também propõe um novo programa de apoio ao exército ucraniano com base em ativos russos congelados.
STRASBOURG (FRANÇA), 10 (EUROPA PRESS)
A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, insistiu na quarta-feira que a UE deve continuar a apoiar a Ucrânia contra a Rússia e anunciou que uma aliança de drones será criada com o país, enquanto ela também disse que era a favor da construção de um "muro de drones" no flanco oriental.
Ela fez isso durante seu discurso sobre o Estado da União Europeia na sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo (França), no qual argumentou que o presidente russo, Vladimir Putin, não está disposto a negociar a paz com seu colega ucraniano, Volodymyr Zelenski, e, portanto, a UE deve continuar a apoiar Kiev, como tem feito até agora, ao mesmo tempo em que aumenta sua pressão sobre Moscou.
"Putin se recusa a se reunir com o presidente Zelensky", ressaltou, lembrando que na semana passada a Rússia cometeu o maior ataque com drones e mísseis balísticos desde o início da invasão, na terça-feira matou mais de 20 pessoas em uma cidade de Donetsk em outro ataque com mísseis e na quarta-feira violou o espaço aéreo da Polônia, a quem transmitiu a solidariedade da UE, com mais de dez drones.
"A mensagem de Putin é clara e nossa resposta também deve ser clara", enfatizou o político alemão. "Precisamos de mais pressão sobre a Rússia para que ela venha à mesa de negociações, precisamos de mais sanções", enfatizou, "e, ao mesmo tempo, precisamos de mais apoio à Ucrânia".
Von der Leyen destacou a importância dos drones para a Ucrânia, que deixou de contar com eles e passou a ser responsável por "mais de dois terços das perdas de equipamentos russos". No entanto, ele alertou que a Rússia está se recuperando nessa área, graças aos drones iranianos, e "está tirando proveito da produção industrial em massa".
"A engenhosidade ajudou a abrir a porta para a defesa da Ucrânia, mas o poder industrial bruto do outro lado pode ameaçar fechá-la", alertou.
ALIANÇA DOS DRONES
Nesse ponto, ele anunciou que a UE criará uma aliança de drones com a Ucrânia, para a qual destinará 6 bilhões do empréstimo ERA, a ferramenta acordada pelo G7 que prevê o empréstimo de fundos para o governo ucraniano, que será reembolsado com fundos russos vinculados em território europeu.
"A Ucrânia tem a engenhosidade, o que ela precisa agora é aumentar a escala (de produção), e juntos podemos oferecer isso a eles para que a Ucrânia possa manter sua vantagem e a Europa possa fortalecer a sua", justificou o presidente da Comissão.
Em consonância com isso, após visitar vários países do flanco oriental na semana passada, ela ressaltou a importância dessa região para a segurança de todo o continente. "É por isso que temos que investir no apoio a eles por meio de um Observatório do Flanco Oriental", disse ela.
"Isso significa fornecer à Europa capacidades estratégicas independentes", disse ele, enfatizando a necessidade de investir na vigilância do espaço aéreo em tempo real para que nenhum movimento de tropas passe despercebido.
MURO DE DRONES NO LESTE
"Devemos atender ao apelo de nossos amigos do Báltico e construir um muro de drones. Essa não é uma ambição abstrata. É a base de uma defesa confiável", argumentou Von der Leyen, enfatizando que seria "uma capacidade europeia desenvolvida em conjunto, implantada em conjunto e mantida em conjunto, que pode responder em tempo real". Uma capacidade "que não deixa espaço para ambiguidade em nossas intenções: A Europa defenderá cada centímetro de seu território".
Ele também deixou claro que "esta é a guerra da Rússia e é a Rússia que deve pagar" e não os contribuintes europeus, depois que a UE já contribuiu com 170 bilhões de euros. Portanto, argumentou ele, é necessário encontrar "uma nova solução para financiar o esforço de guerra da Ucrânia com base nos ativos russos imobilizados".
NOVO PROGRAMA DE APOIO MILITAR
Ele anunciou que Bruxelas proporá um novo programa, que ele chamou de Vantagem Militar Qualitativa, para financiar as Forças Armadas ucranianas com base em "saldos de caixa vinculados a ativos russos". "Os ativos em si não serão tocados e o risco terá que ser assumido coletivamente", explicou.
"A Ucrânia só pagará o empréstimo quando a Rússia pagar as reparações", alertou, observando que, embora o dinheiro ajude Kiev agora, "também será crucial a médio e longo prazo para a segurança" do país.
Ela contou aos deputados a história de Sasha, um menino ucraniano que foi levado de sua família por soldados russos quando tinha 11 anos de idade em uma parte ocupada da Ucrânia e cuja avó conseguiu recuperá-lo com a ajuda do governo ucraniano e depois de viajar por vários países.
"Temos que fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para apoiar as crianças ucranianas", disse ele, anunciando que, juntamente com a Ucrânia e outros parceiros, organizaria uma reunião de cúpula da coalizão internacional para o retorno das crianças ucranianas. "Todas as crianças raptadas (pela Rússia) devem ser devolvidas", disse ele, e depois pediu aos eurodeputados que prestassem homenagem a Sasha, ao que os eurodeputados se levantaram e aplaudiram.
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