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MADRID 1 jul. (EUROPA PRESS) -
O Parlamento da Ucrânia aprovou nesta quarta-feira a criação de um panteão para homenagear seus heróis nacionais, em um momento em que o passado de alguns deles voltou a ser motivo de debate e controvérsia em países como a Polônia.
O projeto prevê a construção de um complexo em Kiev que servirá como centro para a preservação da memória histórica, a realização de cerimônias de Estado e também para abrigar o reenterro dos heróis nacionais que possam ser repatriados, além de instalar cenotáfios para aqueles que não puderem ser trazidos de volta.
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, agradeceu a todos os membros do Parlamento que apoiaram essa iniciativa e destacou que se trata de “um passo importante” não apenas para honrar a memória das figuras proeminentes do passado, mas também para criar “as bases de uma unidade social de longo prazo”.
“Isso é possível quando as decisões do nosso Estado se baseiam no reconhecimento daqueles a quem o povo verdadeiramente honra, aqueles que deram uma contribuição verdadeiramente histórica para a defesa, o desenvolvimento e o fortalecimento da Ucrânia”, elogiou Zelenski nas redes sociais.
A criação desse panteão é uma iniciativa do próprio Zelenski, que, durante a apresentação há alguns dias, e em plena polêmica com a Polônia por batizar uma unidade militar do Exército ucraniano com o nome de uma milícia ultranacionalista acusada naquele país de massacres durante a Segunda Guerra Mundial, afirmou que “ninguém jamais” lhes dirá “quais heróis respeitar”.
A decisão de Zelenski de aceitar nomear uma unidade militar sob o título de “Heróis da UPA” — em alusão ao Exército Insurgente Ucraniano (UPA) —— levou o presidente polonês, Karol Nawrocki, a retirar-lhe a Ordem da Águia Branca, a mais alta condecoração de seu país, e reacendeu as tensões em torno da memória histórica que ambos os países compartilham.
QUEM ESTARÁ PRESENTE NESTE PANTEÃO?
De acordo com o projeto de lei, não só terão lugar figuras políticas e militares que contribuíram para a criação do Estado ucraniano e sua independência, mas também serão reconhecidas outras personalidades de diversas áreas, como a cultural, a científica ou a religiosa.
Ao mesmo tempo, não deverão receber tal reconhecimento as pessoas condenadas por crimes contra a segurança do Estado ucraniano, pelo Direito Internacional, ou ligadas a governos e períodos totalitários, como a Alemanha nazista, regimes comunistas ou a Rússia imperial.
No entanto, um dia após a apresentação da proposta ao Parlamento, o deputado Mikita Poturayev, do partido Servo do Povo, não descartou que Stepan Bandera, que proclamou a independência do Estado ucraniano em 191, possa ser um dos escolhidos para fazer parte desse local de comemoração.
A figura de Bandera é motivo de forte controvérsia devido ao seu passado como colaborador da Alemanha nazista, embora o governo de Adolf Hitler tenha acabado por prendê-lo após a proclamação da independência do Estado ucraniano, bem como pelas limpezas étnicas e massacres que as milícias que operavam sob suas ordens, entre elas a UPA, realizaram durante aqueles anos em locais como a Polônia.
Entre os candidatos a serem homenageados neste panteão estão também o último chefe da UPA, Vasil Kuk; o colaboracionista nazista Mijailo Omelianovich-Pavlenko, que posteriormente integrou o governo ucraniano no exílio; e um dos fundadores da Organização dos Nacionalistas Ucranianos, o coronel Yevguén Konovalets.
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