Publicado 05/05/2026 11:18

A Ucrânia acusa o Egito de ignorar suas "repetidas advertências" e de aceitar grãos roubados

Archivo - Arquivo - 30 de março de 2026, Kiev, Ucrânia: O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, participa de uma coletiva de imprensa conjunta com a ministra interina das Relações Exteriores da República da Bulgária, Nadezhda Neynsky
Europa Press/Contacto/Pavlo Bahmut - Arquivo

MADRID 5 maio (EUROPA PRESS) -

O governo da Ucrânia acusou nesta terça-feira o Egito de ignorar suas “repetidas advertências” e aceitar 26.900 toneladas de grãos ucranianos roubados, na que foi a quarta vez que a Rússia descarregou em portos egípcios desde abril.

“Apesar das repetidas advertências, o navio ‘Asomatos’ foi autorizado a descarregar 26.900 toneladas de trigo ucraniano roubado em Abu Quir”, denunciou o ministro das Relações Exteriores, Andri Sibiga, em suas redes sociais.

"A Ucrânia é um país que tem desempenhado seu papel para garantir a segurança alimentar do Egito há muitos anos e não entendemos por que nossos parceiros egípcios não nos retribuem o favor ao aceitarem grãos ucranianos roubados", repreendeu.

Sibiga explicou que, dias atrás, a Procuradoria-Geral da Ucrânia entrou em contato formalmente com o Ministério da Justiça do Egito para informá-lo de que o navio transportava uma “carga ilícita” que havia sido exportada da Península da Crimeia por meio da empresa já sancionada Agro Frigat.

As autoridades ucranianas forneceram “todos os dados necessários e as bases legais para apreender o navio e sua carga”, afirmou Sibiga, que destacou que “os bens roubados em territórios ocupados devem ser confiscados”.

“A pilhagem não é comércio e a cumplicidade apenas alimenta mais agressão”, disse o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, instando o Egito a “respeitar o Direito Internacional”, bem como “suas próprias promessas” feitas a Kiev.

Nas últimas semanas, as autoridades ucranianas voltaram a destacar os acordos comerciais envolvendo o suposto grão roubado durante a invasão que empresas russas vinham realizando com certos países, entre eles Egito, Turquia, Argélia ou Israel, com quem mantiveram nos últimos dias uma troca de acusações.

O próprio Sibiga e seu homólogo israelense, Gideon Saar, utilizaram as redes sociais na semana passada para resolver suas divergências sobre como abordar essa questão. O ucraniano denunciou a suposta inércia de seu homólogo e das demais autoridades, enquanto este o repreendeu por não ter utilizado os canais oficiais adequados.

O navio “Panoramitis”, com suposta carga roubada, tinha previsto atracar no porto de Haifa, no norte de Israel, o que acabou não ocorrendo, segundo Sibiga, devido à pressão da Ucrânia, enquanto Saar, que criticou as “lacunas” da acusação, afirmou que a embarcação decidiu por iniciativa própria não fazê-lo.

A Ucrânia sustenta que, desde o início da invasão da Rússia em fevereiro de 2022, foram exportadas mais de 1,7 milhão de toneladas de produtos agrícolas, com um valor total superior a 20 bilhões de hryvnias (cerca de 387 milhões de euros), a partir dos “territórios temporariamente ocupados”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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