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Os promotores descartam a possibilidade de radicalização e apontam para transtornos psiquiátricos
MADRID, 4 set. (EUROPA PRESS) -
O governo tunisiano convocou o encarregado de negócios da embaixada francesa na Tunísia nesta quarta-feira em protesto contra o assassinato pela polícia do agressor que no dia anterior feriu cinco pessoas, três delas com uma faca, no centro de Marselha.
"Por ordem do Presidente (Kais Saied), o Secretário de Estado do Ministério das Relações Exteriores convocou o Encarregado de Negócios da Embaixada da França em Túnis na tarde de hoje, 3 de setembro, na ausência do Embaixador da República Francesa, que está fora do país, para protestar da forma mais veemente possível contra o assassinato cometido por membros da polícia francesa", anunciou em uma declaração na qual identificou o agressor morto como Abdeljader Zibi.
O 'número dois' da pasta diplomática tunisiana, Muhamad bin Ayad, considerou esse evento como "um assassinato injustificado" e transmitiu isso ao encarregado de negócios francês, para o qual o governo tunisiano "espera que o lado francês aja com firmeza e rapidez na investigação e na determinação de responsabilidades".
Ele também anunciou que as autoridades tunisianas tomarão "todas as medidas necessárias para preservar os direitos do falecido e de sua família e para que seja feita justiça".
O Ministério das Relações Exteriores da Tunísia transmitiu suas condolências à família do agressor assassinado, enquanto a embaixada da Tunísia em Paris e o consulado em Marselha estão trabalhando "para acelerar a transferência do corpo do falecido para a Tunísia o mais rápido possível", a pedido do presidente tunisiano, que também instruiu seu embaixador em Paris a comunicar a posição do país do Magrebe às autoridades francesas, de acordo com a declaração.
"A Tunísia reitera seu total compromisso e sua firme vontade de proteger os interesses de todos os tunisianos e defendê-los onde quer que estejam no exterior", concluiu a pasta diplomática.
MINISTÉRIO PÚBLICO DESCARTA RADICALIZAÇÃO
O promotor de Marselha, Nicolas Bessone, descartou na quarta-feira, em declarações ao canal de televisão BFMTV, que o agressor tenha se radicalizado. "Foi realizada uma investigação e descobriu-se que o indivíduo não parecia ser radicalizado, mas sofria de distúrbios psiquiátricos", disse ele.
O homem atropelou uma pessoa na rua e feriu o recepcionista do hotel onde estava hospedado, antes de entrar "no bar, onde ficou cara a cara com o gerente e tentou esfaqueá-lo várias vezes enquanto gritava 'Allah Akbar', eu também quero morrer", disse ele.
Em seguida, o homem deixou o estabelecimento para "continuar sua jornada criminosa" e gritou 'Allah Akbar' uma segunda vez para a polícia, que acabou atirando várias vezes nele.
O homem, nascido em 1990 na Tunísia, era conhecido das forças de segurança e dos serviços judiciais por outros motivos. Em junho passado, em uma mesquita, "no meio de uma oração, ele proferiu algumas palavras, insinuando que o país era governado por judeus e sionistas, o que lhe rendeu uma intimação por incitação ao ódio com base na origem ou religião, e ele deveria ser julgado em outubro no tribunal de Montpellier", acrescentou o promotor.
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