Europa Press/Contacto/Andrew Leyden - Arquivo
Confirma o abandono da Ucrânia e o questionamento da OTAN, apesar de assinar o compromisso de 5% de gastos MADRID 19 jan. (EUROPA PRESS) -
Apenas um ano após voltar a cruzar as portas da Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, virou o cenário mundial de cabeça para baixo com uma ofensiva comercial na forma de tarifas contra seus próprios parceiros históricos; tensionando alianças internacionais como a OTAN; e demonstrando sua vontade de fazer valer o poder militar americano com intervenções no Irã, Venezuela ou Iêmen.
Após concluir seu retorno à Presidência nas eleições de 2024, a comunidade internacional se perguntou como o magnata americano agiria em sua segunda etapa à frente dos Estados Unidos. Doze meses depois, Trump deixou clara uma visão geopolítica intervencionista que combina o poder militar duro e a maximização dos interesses econômicos de Washington para controlar o hemisfério.
Identificando-se com a doutrina Monroe, cunhada pelo presidente do século XIX que proclamou o conhecido lema “A América para os americanos”, Trump propôs-se atualizar essa política com seu próprio “corolário” e privilegiar a soberania americana sobre a influência da China e da Rússia.
Tudo isso à custa das alianças tradicionais que os Estados Unidos cultivaram há pelo menos um século, um modus operandi que coloca a Europa em uma situação difícil, que em um cenário mundial mais competitivo vê a Rússia travando uma guerra no continente, a China não cedendo em suas tensões comerciais e Washington ameaçando retirar o guarda-chuva protetor da OTAN.
TARIFAS GLOBALES, TAMBÉM AOS PARCEIROS HISTÓRICOS
A imposição de tarifas às principais economias mundiais foi o primeiro passo de Trump em sua proclamada intenção de abrir um novo capítulo nas relações internacionais. Seguindo a lógica de reequilibrar o déficit comercial dos Estados Unidos, o presidente norte-americano não hesitou em aplicar impostos a inúmeras indústrias e setores da economia global, especialmente à União Europeia, China, México e Canadá. Setores como o aço e o alumínio, veículos, vinhos, produtos agrícolas, semicondutores, produtos energéticos e a indústria farmacêutica tornaram-se alvo do Departamento de Comércio.
Uma vez superado o choque inicial, parceiros tradicionais como a União Europeia começaram a trabalhar para reverter a ameaça inicial que, após meses de disputas com funcionários americanos, culminou com Bruxelas assumindo uma sobretaxa geral de 15%, sem contramedidas, numa tentativa de proteger setores-chave como o automóvel, que anteriormente estava sujeito a uma sobretaxa de 27,5%.
Apenas o presidente chinês, Xi Jinping, manteve a pressão sobre Trump, que, após uma primeira postura reativa, acabou negociando a eliminação mútua de tarifas. No entanto, o presidente norte-americano insistiu nos bons resultados de sua política comercial: “Agora somos o país mais rico e respeitado do mundo, quase sem inflação e com um preço recorde no mercado de ações”.
ATAQUE NO IRÃ, IÊMEN, VENEZUELA, SÍRIA CONTRA O ESTADO ISLÂMICO Na política internacional, Trump confirmou um perfil mais agressivo do que em seu primeiro mandato para consagrar o retorno da hegemonia americana no Ocidente através da restituição de todas as suas ferramentas de "poder duro", tanto econômico quanto militar. A base dessa política passa pela expansão do papel dos Estados Unidos no hemisfério norte, com a firme vontade de que seus aliados se alinhem com seus interesses, como a estabilidade e a segurança terrestre e marítima.
A primeira demonstração dessa política, plasmada preto no branco pelo Departamento de Estado em sua estratégia de Segurança Nacional, concretizou-se no Iêmen, onde o governo norte-americano inaugurou seu mandato com uma “ação militar decisiva e contundente” em março contra a insurgência houthi do Iêmen, apoiada pelo Irã, em resposta aos ataques contra a navegação no Mar Vermelho.
A estas operações se seguiria o aumento das tensões com Teerã, alegando que este país não tinha renunciado ao desenvolvimento de armas nucleares no seu programa. No meio da guerra entre o Irão e Israel, com o lançamento durante nove dias de mísseis de longo alcance, Trump ordenou o bombardeamento de três instalações nucleares iranianas, incluindo a emblemática central de Fordo, que foi atingida com bombas de alta penetração.
O líder norte-americano considerou um “sucesso espetacular” o ataque norte-americano que, segundo ele, conseguiu “destruir a capacidade nuclear do Irã”. Além disso, o Pentágono realizou nos últimos meses numerosos ataques contra alvos do Estado Islâmico na Síria e no Iraque, cerca de 80 registrados no primeiro ano do segundo mandato.
A “obra-prima” da nova era da política externa americana chegou no último dia 3 de janeiro com a intervenção militar na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, após meses de disputas entre líderes pelo suposto apoio a redes de tráfico de drogas. O ataque confirmou que os Estados Unidos estavam dispostos a usar a força, após o histórico envio de tropas ao Caribe nos meses anteriores.
AMEAÇAS À GROENLÂNDIA, CUBA, MÉXICO E CANADÁ A operação para deter Maduro em sua própria residência encorajou Trump a continuar com suas ameaças contra outros países da região, com Cuba na mira, mas também contra países vizinhos como México e Canadá, nação esta última que o presidente ocasionalmente apontou como próxima anexação.
De qualquer forma, as pretensões expansionistas de Trump não se limitam aos seus tradicionais rivais geopolíticos, como o Irã ou a Venezuela, mas também afetam parceiros próximos, como a Dinamarca. Trump redobrou a retórica belicista contra a Groenlândia, ilha ártica dependente de Copenhague que Washington aspira controlar, alegando a crescente presença da China e da Rússia na região.
As tentativas das nações europeias de chegar a um acordo não deram frutos até o momento, com Trump mantendo o rumo em suas intenções de controlar a ilha e vendo os europeus se esforçarem para redobrar sua presença na zona por meio de exercícios militares. ABANDONO DA UCRÂNIA E APROXIMAÇÃO DA RÚSSIA, ACORDO PARA GAZA
Além de desempenhar um papel fundamental na reconfiguração do Oriente Médio, dando carta branca a Israel para lançar ataques contra o Hezbollah no Líbano e o Hamas em Gaza, o presidente quis promover sua imagem de pacificador, forjando um acordo de cessar-fogo para a Faixa que os atores regionais e internacionais assumiram como o mal menor, em uma nova demonstração de força da Casa Branca.
De todo modo, este primeiro ano da segunda etapa de Trump à frente dos Estados Unidos será lembrado pela reviravolta na ajuda militar à Ucrânia, dando uma guinada na política de Joe Biden e promovendo uma aproximação com a Rússia sob o pretexto de pôr fim à invasão lançada por Vladimir Putin em fevereiro de 2022.
Essa virada de página ficou evidente em toda a sua crueza no primeiro encontro com o presidente Volodimir Zelenski na Casa Branca, que terminou com uma discussão acalorada diante das câmeras, ao acusar Kiev de prolongar a guerra e brincar com a opção de uma Terceira Guerra Mundial.
Nesse sentido, o choque com os aliados europeus da OTAN foi palpável, uma vez que as nações europeias ficaram sozinhas no apoio à Ucrânia e buscando maneira de influenciar negociações de paz cujo resultado estava muito inclinado a favor de Moscou.
Prova das tensões no seio da OTAN fica para a história a cúpula realizada em Haia, na qual, após inúmeras pressões e tensões, os Estados Unidos conseguiram que os demais aliados assinassem o compromisso de chegar a 5% em defesa no prazo de uma década.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático