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MADRID, 2 ago. (EUROPA PRESS) -
A administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu alguns fundos de pesquisa concedidos à Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) devido a preocupações relacionadas a manifestações de antissemitismo e preconceito no campus, de acordo com as autoridades acadêmicas dessa que é uma das instituições públicas mais reconhecidas do país.
"Recebemos recentemente a notificação de que o governo federal está suspendendo certos financiamentos de pesquisa para a UCLA. Isso representa uma perda não apenas para nossos professores e pesquisadores, mas também para as pessoas de todo o país que dependem dos avanços e inovações originados aqui", lamentou o presidente da universidade, Julio Frenk, em um anúncio via X.
Com relação à acusação de "antissemitismo e preconceito" como motivos para a suspensão do financiamento, Frenk insistiu que compartilha "o objetivo de erradicar o antissemitismo", comportamento que "não tem lugar no campus ou na sociedade", e expressou seu "compromisso pessoal de combater o fanatismo em todas as suas formas".
Ele alertou que a suspensão poderia colocar em risco centenas de subsídios do Departamento de Energia, da Fundação Nacional de Ciências e dos Institutos Nacionais de Saúde, entre outras instituições.
PLANOS DE CONTINGÊNCIA
No entanto, ele disse que a universidade "vem se preparando" para anúncios do governo como esse e revelou que eles têm "planos de contingência em vigor" e estão "fazendo todo o possível" para responder a esse "momento difícil".
"Eu lidero uma equipe focada na investigação que se reúne todos os dias e estaremos em constante comunicação à medida que avançamos. Este é um momento difícil, mas eu conheço (nosso) espírito. Já enfrentamos desafios sérios antes, e os superamos porque estamos juntos. Somos um só UCLA", disse ele, não escondendo sua preocupação com a retirada de fundos que afeta áreas que ele acredita que deveriam ser "prioridades nacionais".
Nessa linha, Frenk enfatizou que a eliminação do financiamento para "pesquisas que salvam vidas" não é de forma alguma a maneira de "resolver acusações de discriminação". "Todos os dias, a pesquisa na UCLA salva vidas e serve às nossas comunidades. E os subsídios que recebemos levam a descobertas médicas, avanços econômicos, maior segurança nacional e maior competitividade global", acrescentou.
A decisão do executivo dos EUA tem como pano de fundo o endurecimento dos padrões de direitos civis do governo federal nas instituições de ensino superior, na esteira das crescentes tensões nos campi relacionadas ao conflito em Gaza.
Especificamente, o congelamento de fundos para a UCLA é o resultado de uma investigação que concluiu que a universidade violou as leis federais de direitos civis ao não responder adequadamente aos incidentes de assédio antissemita.
Ainda nesta semana, a Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça acusou a instituição de agir com "indiferença deliberada" às alegações de assédio a estudantes judeus e israelenses após os ataques de 7 de outubro de 2023 - que deixaram cerca de 1.200 mortos e quase 250 sequestrados, de acordo com o governo israelense - e a subsequente ofensiva contra Gaza, que deixou quase 60.300 palestinos mortos até o momento, de acordo com autoridades de saúde no enclave palestino.
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