Publicado 06/05/2026 00:08

Trump receberá Lula nesta quinta-feira, em meio a um novo recrudescimento das tensões

Archivo - Arquivo - 26 de outubro de 2025, Kuala Lumpur, Malásia: O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à esquerda, ouve o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, à direita, durante uma reunião bilateral à margem da Cúpula da ASEAN no Ce
Europa Press/Contacto/Daniel Torok/White House

O vice-presidente do Brasil espera que consigam chegar a um entendimento sobre um dos pontos de conflito: o sistema brasileiro de pagamentos eletrônicos PIX

MADRID, 6 maio (EUROPA PRESS) -

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, receberá nesta quinta-feira seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, em um contexto marcado por tensões reacendidas entre Washington e Brasília, que pareciam ter se acalmado após a sintonia demonstrada em sua conversa telefônica em dezembro de 2025, que se seguiu a meses de confronto pelo processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por seu papel na trama golpista que tentou impedir a transição de poder para Lula em 2022.

Isso foi confirmado à Europa Press por um funcionário da Casa Branca, que indicou que “Trump receberá o presidente Lula nesta quinta-feira em uma visita de trabalho”. No encontro, indicou ele, serão abordadas “questões econômicas e de segurança de interesse mútuo”.

Washington concretizou, assim, um encontro ao qual também se referiu o vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, que considerou a reunião uma oportunidade para buscar um entendimento mútuo em relação ao PIX, um sistema de pagamentos eletrônicos criado pelo Banco Central do Brasil semelhante ao Bizum na Espanha. O governo de Donald Trump tem manifestado repetidamente suas queixas sobre o PIX, alegando que ele prejudica injustamente empresas financeiras e tecnológicas americanas, como a Visa e a Apple.

No entanto, o “número dois” do Executivo brasileiro demonstrou sua esperança de que a reunião bilateral sirva para amenizar as divergências em relação a um sistema que definiu como “um sucesso”. “Ele oferece segurança e representa um avanço tecnológico que o mundo inveja”, destacou em declarações ao portal de notícias brasileiro G1, ligado ao jornal ‘O Globo’.

Além disso, Alckmin abordou as relações com o Brasil a partir de uma perspectiva mais ampla e ressaltou que o país sul-americano “não é um problema para os Estados Unidos”. “O que devemos fazer é alcançar uma situação benéfica para ambas as partes, para fortalecer ainda mais a complementaridade econômica”, acrescentou, referindo-se ao comércio bilateral, afetado também pelo atrito de Trump com o julgamento e a eventual condenação de Jair Bolsonaro, o que levou as autoridades americanas a punir Brasília com sanções e tarifas ainda mais elevadas do que as impostas pela Casa Branca aos demais países do mundo neste segundo mandato do magnata republicano.

No entanto, a esfera econômica não foi o único cenário de atritos entre os dois governos e também não será o único a ser abordado por Lula e Trump em seu encontro, conforme antecipado pela Casa Branca ao apontar questões de segurança. De fato, o último confronto entre seus governos girou em torno da decisão dos Estados Unidos de expulsar, em abril deste ano, um agente brasileiro que colaborou na breve prisão do ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), Alexandre Ramagem, que fugiu para o país norte-americano em meio ao processo judicial que resultou em sua condenação à prisão pela mesma trama golpista liderada por Bolsonaro.

Na esteira dessa decisão, a Polícia Federal do Brasil retirou as credenciais diplomáticas de um agente de imigração norte-americano que trabalhava dentro da corporação em Brasília, uma medida elogiada por Lula, que demonstrou seu desejo de que, após a medida, as relações com Washington voltassem à “normalidade”.

No entanto, as divergências entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca surgiram em outras questões. De fato, apenas três dias antes de manifestar sua esperança de finalmente acalmar os ânimos, o presidente brasileiro criticou seu homólogo americano por não convidar a África do Sul para a próxima cúpula do G20, a ser realizada na Flórida, e instou a Alemanha — no âmbito de sua visita ao país — a pressionar Washington para que se retratasse.

Apenas um mês antes, Lula anunciou a proibição de entrada no Brasil a Darren Beattie, assessor de Trump que pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, em resposta às restrições impostas por Washington ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em setembro de 2025, por ocasião da Assembleia Geral da ONU.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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