Europa Press/Contacto/Mehmet Eser
Teerã rejeita as declarações do presidente dos Estados Unidos e alerta que elas podem prejudicar o processo diplomático
Uma nova rodada de negociações deve ocorrer na próxima segunda-feira no Paquistão, segundo a mídia
MADRID, 18 abr. (EUROPA PRESS) -
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar que um eventual acordo com o Irã incluiria que Washington assumisse o controle do material nuclear iraniano, ao mesmo tempo em que esboçou os principais elementos das conversas em andamento durante um comício no Arizona, no qual também advertiu que optará por medidas mais agressivas caso não se chegue a um acordo com Teerã.
Trump defendeu que as negociações avançam rapidamente e que grande parte dos pontos-chave já estariam acertados, embora tenha demonstrado cautela quanto ao resultado final. “Nós nos damos bem. Mas quem sabe? Quem sabe com quem? Mas, em particular, quem sabe com o Irã?”, afirmou em um comício diante de seus apoiadores.
Nesse contexto, o presidente reiterou que o acordo para pôr fim à ofensiva iniciada em 28 de fevereiro implicaria que os Estados Unidos ficassem com o material nuclear iraniano, uma afirmação que Teerã nega categoricamente.
“Os Estados Unidos ficarão com todo o pó nuclear. Vocês sabem o que é o pó nuclear? Aquela substância branca em pó criada pelos nossos bombardeiros B2. Nós íamos pegá-lo de qualquer maneira”, declarou o morador da Casa Branca, para depois esclarecer que “pegá-lo dessa maneira é um pouco mais perigoso”.
Vale esclarecer que Trump utiliza nessas declarações o termo “pó nuclear” para se referir às reservas de urânio altamente enriquecido do Irã, embora não se trate de uma denominação reconhecida no âmbito técnico do setor nuclear.
No entanto, um alto funcionário iraniano rejeitou essas declarações em entrevista à CNN, classificando-as como “fatos alternativos” e negando que Teerã tenha aceitado transferir seu urânio enriquecido para o exterior ou suspender indefinidamente o enriquecimento. A fonte alertou ainda — segundo o mesmo meio de comunicação — que esse tipo de manifestação pública poderia complicar as negociações diplomáticas.
Apesar disso, o magnata nova-iorquino advertiu que Washington se apoderará desse material “de uma forma ou de outra”, inclusive recorrendo a medidas mais agressivas caso a via diplomática não prospere. “Se assinarmos o acordo, então sim, posso dar uma data: iremos ao Irã, o buscaremos juntos e o traremos de volta, 100%, para os Estados Unidos”, explicou, antes de acrescentar: “Se não o fizermos, o obteremos de outra forma, de uma forma muito mais hostil”.
“O IRÃ NUNCA TERÁ UMA ARMA NUCLEAR”
Por outro lado, o presidente norte-americano reiterou que qualquer acordo com Teerã estará condicionado à renúncia total ao desenvolvimento de armamento nuclear, vinculando essa questão à situação no Estreito de Ormuz.
“O Irã acaba de anunciar que o Estreito de Ormuz está completamente aberto e pronto para os negócios, mas o bloqueio naval permanecerá em pleno vigor e efeito até que nossa transação esteja 100% concluída”, afirmou.
Na mesma linha, ele não apenas insistiu em suas pretensões sobre o material nuclear iraniano, como também garantiu que ficou acordado que “o Irã nunca terá uma arma nuclear”.
Apesar dos comentários discordantes emitidos por Teerã, Trump sustentou que o processo poderia ser concluído em breve e de forma satisfatória. “Este processo deve ser muito rápido agora que a maioria dos pontos já foi negociada e acordada. Eles ficarão muito satisfeitos”, acrescentou.
CRÍTICAS À OTAN
O presidente aproveitou também para criticar novamente a OTAN, à qual acusou de não ter prestado apoio quando Washington precisava, no contexto da crise no Golfo.
“Agora que a situação no Estreito de Ormuz está quase resolvida, recebi uma ligação da OTAN perguntando se queríamos alguma ajuda e eu disse a eles: ‘Eu teria gostado da ajuda de vocês há dois meses, mas agora, sinceramente, não quero mais a ajuda de vocês’”, afirmou.
Nesse sentido, Trump foi além ao afirmar que a aliança foi “absolutamente inútil quando precisávamos dela” e ressaltou que “eles precisam de nós. Eles precisam muito de nós”.
NOVA RODADA DE CONTATOS NO PAQUISTÃO SEM CONFIRMAÇÃO OFICIAL
Paralelamente a essas declarações, fontes iranianas indicaram — sempre de acordo com declarações coletadas pela CNN — que uma nova rodada de negociações poderia ocorrer em Islamabad nos próximos dias, com a chegada prevista de delegações de ambos os países durante o fim de semana e reuniões na segunda-feira.
Segundo essas fontes, as equipes de negociação chegariam neste domingo à capital paquistanesa, embora nem Washington nem Teerã tenham confirmado oficialmente o encontro. Trump havia deixado em aberto anteriormente a possibilidade de que os contatos fossem retomados nessas datas.
As últimas conversas terminaram sem avanços definitivos, apesar de várias horas de diálogo, em um contexto marcado por uma trégua temporária mediada pelo Paquistão que expira no início da próxima semana. O próprio presidente dos Estados Unidos alertou que poderia não prorrogar esse cessar-fogo caso não se chegue a um acordo.
Enquanto isso, ambas as partes mantêm posições distantes em questões-chave, especialmente no que diz respeito ao futuro do programa nuclear iraniano, o que mantém a incerteza sobre o desfecho das negociações.
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