Publicado 01/05/2026 20:04

Trump dá por encerradas as hostilidades com o Irã e tenta, assim, evitar um novo confronto com o Congresso

1º de maio de 2026, Washington, D.C., Estados Unidos: O presidente dos EUA, Donald Trump, chega ao Jardim Sul da Casa Branca para falar com a imprensa antes de embarcar no Marine One em Washington, D.C., EUA, na sexta-feira, 1º de maio de 2026. Trump expr
Europa Press/Contacto/Andrew Leyden

A Casa Branca defende que o cessar-fogo suspende o prazo legal, enquanto cresce a divisão no Capitólio sobre a autorização do conflito

MADRID, 2 maio (EUROPA PRESS) -

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu que a guerra com o Irã pode ser considerada encerrada após a entrada em vigor do cessar-fogo, ao mesmo tempo em que classificou como “totalmente inconstitucional” a regulamentação vigente sobre poderes bélicos, que determina como deve ser a autorização dos mesmos, em um novo episódio de atrito com o Congresso sobre o alcance da autoridade presidencial em conflitos no exterior.

De acordo com uma carta enviada nesta sexta-feira aos líderes do Congresso, o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, e o presidente pro tempore do Senado, Chuck Grassley, o governo Trump afirmou que “as hostilidades” iniciadas em 28 de fevereiro terminaram após a trégua acordada entre Washington e Teerã.

“Em 7 de abril de 2026, ordenei um cessar-fogo de duas semanas. Desde então, o cessar-fogo foi prorrogado. Não houve troca de tiros entre as Forças dos Estados Unidos e do Irã desde 7 de abril de 2026. As hostilidades que começaram em 28 de fevereiro de 2026 chegaram ao fim”, diz a carta, à qual a CNN teve acesso e na qual o governo garante manter o Congresso informado “de acordo com a Resolução sobre os Poderes Bélicos”.

No entanto, o próprio Trump alertou que a ameaça iraniana “continua sendo significativa”, pelo que o Departamento de Defesa continuará ajustando seu destacamento militar “conforme necessário e apropriado”.

Paralelamente, o presidente deixou claro que não contempla uma retirada precipitada da região. “O Irã não está avançando com o tipo de acordo que precisamos ter. Vamos resolver isso da maneira correta. Não vamos sair mais cedo e depois ter o problema surgindo daqui a três anos”, argumentou.

Esse debate jurídico se intensifica em um momento crucial, já que a Lei dos Poderes de Guerra de 1973 estabelece um prazo de 60 dias para que o presidente encerre uma intervenção militar ou solicite autorização expressa do Congresso. No entanto, os legisladores divergem sobre quando esse prazo se cumpre e se o cessar-fogo interrompe sua contagem.

Enquanto alguns consideram que o prazo expirou nesta sexta-feira, 1º de maio — 60 dias após a notificação formal do início das operações —, há quem sustente que a trégua paralisa a contagem legal ou até permite uma prorrogação adicional de 30 dias.

Do lado do governo, um alto funcionário insistiu em declarações ao mesmo veículo de comunicação que “as hostilidades que começaram no sábado, 28 de fevereiro, cessaram”, ressaltando que não ocorreram confrontos desde 7 de abril. Nessa linha, o secretário de Defesa argumentou recentemente que, segundo sua interpretação, “o prazo de 60 dias é suspenso ou interrompido por um cessar-fogo”.

Essas teses encontraram resistência tanto entre democratas quanto entre alguns republicanos. O senador Thom Tillis questionou essa interpretação e defendeu que o Congresso deve intervir para autorizar ou supervisionar o conflito. “Pareceu-me que a resolução sobre os poderes de guerra estabelece que, em 60 dias, é preciso tomar medidas”, afirmou.

Mais contundente foi o senador democrata Adam Schiff, que afirmou que “esta guerra foi ilegal desde o início”, ao considerar que não havia uma ameaça iminente que justificasse a intervenção sem o aval do Congresso. “Mesmo sob a Lei dos Poderes de Guerra, o presidente não dispõe de 60 dias para declarar guerra sem a aprovação do Congresso na ausência de qualquer tipo de ameaça iminente”, acrescentou.

A discordância também se refletiu nas votações no Senado, onde iniciativas para exigir autorização prévia para novas ações militares contra o Irã fracassaram, embora com apoios pontuais de legisladores republicanos. “A Constituição confere ao Congresso um papel essencial nas decisões sobre a guerra e a paz”, enfatizou a senadora Susan Collins, ao mesmo tempo em que exigiu objetivos claros e uma estratégia definida antes de qualquer nova intervenção.

Nesse contexto, vários senadores alertaram ainda que o conflito atingiu um “ponto de inflexão”, enquanto outros ironizam sobre a possibilidade de prorrogar indefinidamente os prazos legais. “Depois serão 120 dias, e depois será para sempre”, criticou o democrata Tim Kaine.

Enquanto aguardam que o Congresso retome suas atividades após o recesso, alguns legisladores anteciparam que promoverão uma autorização formal para o uso da força caso a Casa Branca não apresente um “plano credível” sobre o rumo do conflito, o que antecipa novas tensões institucionais em torno da política externa dos Estados Unidos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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