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MADRID, 14 abr. (EUROPA PRESS) -
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou nesta terça-feira a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, por suas recentes declarações em defesa do Papa Leão XIV e sua recusa em participar da guerra no Irã, ao afirmar que se enganou ao pensar que a líder italiana “tinha coragem”.
“A inaceitável é ela, porque não se importa que o Irã tenha uma arma nuclear, (que) explodiria a Itália em dois minutos se tivesse a oportunidade”, explicou em entrevista por telefone ao ‘Corriere della Sera’, em alusão às declarações de Meloni nas quais ela classificava como “inaceitáveis” suas palavras sobre o Papa.
O presidente, que mantinha sintonia com a líder italiana, indicou que “há muito tempo” que ambos não se falam, após afirmar que Meloni “é muito diferente” do que ele pensava. “Ela não é mais a mesma pessoa”, retrucou o magnata republicano.
“Achei que ela tivesse coragem, mas me enganei”, afirmou, acrescentando que “a Itália nunca mais será o mesmo país” e que a “imigração está matando” o país e todo o continente europeu.
“Eles pagam os preços de energia mais altos do mundo e nem sequer estão dispostos a lutar pelo Estreito de Ormuz, de onde a obtêm”, disse ele, confirmando que pediu à Itália que enviasse “o que quisessem” para a região, embora no fim das contas não o tenham feito.
CRITICA NOVAMENTE O PAPA
Além disso, Trump redobrou suas críticas contra o Papa, afirmando que o pontífice “não entende” o que está acontecendo com o Irã. “Ele não tem a menor ideia do que está acontecendo. Não compreende que 42 mil manifestantes morreram no Irã no mês passado”, sentenciou.
Meloni, até agora uma das aliadas mais próximas de Trump, classificou suas declarações sobre o Papa como “inaceitáveis” e lembrou que Leão XIV é o chefe da Igreja Católica e que “é justo e normal que ele peça paz e condene toda forma de guerra”.
Isso ocorreu depois que o presidente americano afirmou, em uma mensagem divulgada nas redes sociais, que o Papa “é fraco em matéria de criminalidade e péssimo em política externa”, além de demonstrar “fraqueza” em questões relacionadas a armas nucleares.
“Não quero um Papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela, um país que enviava enormes quantidades de drogas para os Estados Unidos e, pior ainda, esvaziava suas prisões, incluindo assassinos, traficantes de drogas e sicários, para o nosso país”, afirmou.
O chefe da Casa Branca também acusou o Papa de “se reunir com simpatizantes” do ex-presidente democrata Barack Obama. “Leão deveria se comportar como um Papa, usar o bom senso, parar de agradar à esquerda radical e se concentrar em ser um grande Papa, não um político”, expressou Trump, que divulgou uma fotografia criada por Inteligência Artificial na qual aparecia representado como Jesus Cristo.
O máximo representante do Vaticano pronunciou-se recentemente contra a atividade bélica em vários países, como Ucrânia, Líbano ou Sudão, neste mesmo domingo, e também no Irã na última quarta-feira, quando lamentou a “violência e a devastação” e o “clima generalizado de ódio e medo”.
Essa crise se soma ainda aos desentendimentos com Washington em decorrência do bloqueio a vários bombardeiros americanos que pretendiam pousar em março na base de Sigonella, na Sicília, no âmbito da guerra contra o Irã. O governo defendeu que agiu de acordo com o tratado bilateral que regula o uso das bases militares.
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